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Após emitir um alerta sobre o risco de reintrodução do sarampo no Brasil por causa da circulação do vírus nos países-sede da Copa do Mundo, o Ministério da Saúde lançou nesta quarta-feira, 29, uma campanha focada nos torcedores que vão viajar para os Estados Unidos, Canadá e México para acompanhar o mundial. Para incentivar a vacinação, o início da mobilização contou com a presença do ex-jogador e tetracampeão Raí, que foi vacinado pelo ministro da Saúde Alexandre Padilha.
O lançamento da campanha ocorreu na Fundação Gol de Letra, no Rio de Janeiro, e tem como foco a atualização da carteira de vacinação de pessoas que vão viajar para qualquer um dos países-sede (veja o esquema vacinal abaixo).
A preocupação do ministério é que a doença, altamente contagiosa, volte a circular no Brasil a partir da infecção de pessoas durante as viagens para acompanhar os jogos.
“Hoje, Estados Unidos, Canadá e México vivem uma explosão de casos de sarampo. No ano passado, 90% dos casos de sarampo de todo continente americano aconteceram nesses países. A OMS (Organização Mundial da Saúde) emitiu um comunicado que traz uma preocupação: 70% dos casos das Américas estão nesses três países, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Segundo Padilha, foram registrados 38 casos importados de turistas ou brasileiros que estiveram em países que registraram surtos da doença no ano passado.
De acordo com o ministério, o Brasil mantém o status de país livre da circulação sarampo. Na região das Américas, segundo a pasta, os países-sede concentram a maior parte dos casos da doença.
“Em 2025, os Estados Unidos registraram 2.144 casos e a transmissão continua ativa com mais 1.792 neste ano. O Canadá enfrentou aumento nos casos, com 5.062 registros em 2025, o que levou o país a perder o status de livre da doença. Em 2026, já são 907 casos. O México vive uma situação semelhante: após registrar apenas sete casos em 2024, o país teve uma escalada expressiva para 6.152 casos em 2025 e já soma 10.002 registros em 2026”, disse, em nota.
No fim do ano passado, a região das Américas perdeu o certificado de eliminação da doença, segundo informe da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Casos importados de sarampo
Nesta terça-feira, 28, a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo confirmou o segundo episódio importado de sarampo registrado no estado neste ano — o primeiro foi de uma menina de seis meses que tinha visitado a Bolívia.
A secretaria informou que o novo paciente é um homem de 42 anos, morador da Guatemala e com histórico de vacinação.
Riscos do sarampo
Doença altamente contagiosa, o sarampo é causado por vírus e tem como principal manifestação o aparecimento de manchas vermelhas no corpo. Outros sintomas são febre alta, tosse seca, irritação nos olhos, mal-estar intenso e nariz entupido ou escorrendo. Pneumonia, encefalite (inflamação no cérebro) e a morte são os desfechos mais graves da infecção.
A circulação do vírus propicia o aparecimento de surtos entre pessoas não vacinadas, de modo que um indivíduo infectado é capaz de transmitir a doença para até 18 pessoas, de acordo com a Opas.
No Brasil, a vacina contra o sarampo é ofertada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).
Veja quem deve se vacinar
Crianças de 6 a 11 meses:
- Dose zero: indicada em situações de risco aumentado de exposição ao vírus, não substitui as doses do calendário de rotina
Crianças a partir de 12 meses
- Primeira dose (D1) aos 12 meses, com a tríplice viral. Segunda dose (D2) aos 15 meses, com a vacina tetraviral (ou tríplice viral + varicela)
Pessoas de 5 a 29 anos
- Devem iniciar ou completar o esquema de duas doses da tríplice viral, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas
Pessoas de 30 a 59 anos
- Devem receber uma dose da tríplice viral caso não haja comprovação de vacinação anterior