O mais recente relatório do Livro Bege do Federal Reserve reforça a leitura de que a economia americana segue surpreendendo pela resiliência. O documento aponta atividade moderada, mercado de trabalho ainda firme e pressões inflacionárias que persistem em alguns setores, mesmo com juros elevados. É nesse contexto que a economista Laura Pacheco amplia a análise e coloca Brasil e Estados Unidos no mesmo mapa da resiliência. Segundo ela, o Brasil se beneficia do papel estratégico como fornecedor de commodities, especialmente em momentos de tensão geopolítica que afetam as cadeias logísticas globais. Com petróleo mais caro e demanda por alimentos em alta, entram dólares, fortalecem-se exportações e a economia ganha algum fôlego. Ainda assim, a especialista alerta que fatores estruturais, como o peso dos juros compostos, exigem cautela na condução da política monetária.

Nos Estados Unidos, a resistência passa pela força do setor de energia e pela preservação do dólar como moeda de referência global. Assim como o Brasil, o país também colhe efeitos indiretos quando conflitos pressionam o fornecimento de petróleo. Para Pacheco, essa resiliência compartilhada não elimina riscos: o aumento de custos de energia mantém a inflação no radar. Por isso, ela avalia que, apesar do cenário externo favorável em alguns pontos, não há espaço para cortes precipitados de juros no Brasil, “ um ponto que é muito importante é que a gente tem que olhar para os outros aspectos do Brasil. Um deles é a estrutura dos juros no Brasil, de serem sempre juros compostos, por exemplo, isso é um aspecto brasileiro não é em todas as economias do mundo”, avalia.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *