
Para os desavisados, é importante deixar claro: A Maldição da Múmia não tem Brendan Fraser, nem Rachel Weisz, muito menos as cavernosas pirâmides que já muito pautaram o cinema B de Hollywood. Lançamento do estúdio Warner Bros., o longa chega às salas de todo o país nesta quinta-feira 16 e preserva apenas o orientalismo ao apresentar uma nova versão da famosa criatura, tentando assim sair da sombra dos famosíssimos longas que já a abordaram. De tão desconstruída, porém, a figura enfaixada deixa de ter razão de ser, e o que sobra é um filme tão desconjuntado quanto ela.
Na trama, o jornalista Charlie trabalha como correspondente internacional no Cairo, onde vive em harmonia com a esposa enfermeira e dois filhos pequenos. Certo dia, tudo cai por terra quando uma vizinha misteriosa sequestra a primogênita Katie (Emily Mitchell), deixando seus guardiões atormentados em busca de respostas que só chegam oito anos depois, quando a menina é encontrada dentro de um sarcófago milenar, subnutrida e incapaz de se comunicar. Daí em diante, a família acolhe Katie em seu lar nos Estados Unidos, uma espaçosa casa na cidade de Albuquerque, parte do árido Novo México.
Longe do Oriente Médio, a trama se converte em uma típica história de possessão, passando pelos cacoetes familiares às infinitas versões de O Exorcista e, especialmente, ao último filme que o cineasta Lee Cronin conduziu antes de assumir Maldição da Múmia — A Morte do Demônio: A Ascensão (2023), quinto capítulo da franquia criada por Sam Raimi.
Assim como fez naquele, o diretor pesa a mão na estilização, com direito à violência gráfica e ao uso irrestrito de lentes de dioptria dividida, marca que lendas do cinema de gênero como Raimi e Brian de Palma utilizavam com maior ponderação. A abordagem brilha ao longo da segunda metade do filme, dando pano para o sadismo bem-humorado, mas perde força por contradizer a sensibilidade exigida pelo drama familiar. Ou este filme quer falar com seriedade sobre abuso infantil, ou quer fazer o público gargalhar quando uma criança maníaca tortura seus entes de formas inimagináveis.
Cronin parece mais interessado na segunda opção, mas perde muito tempo tentando se encaixar às expectativas em torno do que é considerado terror “de prestígio” à la Hereditário (2018) ou O Babadook (2014), imaginário que se junta às outras referências gastas e sabota qualquer lampejo de novidade. Assim como um sarcófago empoeirado, A Maldição da Múmia seria mais agradável com uma troca de ares.
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