
A defesa do ministro Marcos Buzzi, do STJ, criticou o vazamento do depoimento de ex-assessora que denunciou a rotina de abusos e de terror vivida por ela no gabinete do magistrado, entre 2023 e 2025.
Os relatos revelados pelo Radar de que uma jovem de 18 anos havia acusado Buzzi de assediá-la sexualmente abriram caminho para que a ex-assessora também o denunciasse.
O episódio levou à abertura de diferentes processos contra o ministro. Ele é alvo de uma apuração no STJ, de um procedimento no CNJ e de um inquérito criminal aberto por ordem do ministro Nunes Marques no STF. Afastado das funções da magistratura, Buzzi nega as acusações.
Ontem, o Radar publicou parte dos relatos colhidos pela investigação, que será apresentada aos ministros do STJ na próxima terça-feira, 14.
De acordo com a defesa do magistrado, o vazamento viola as regras de sigilo do procedimento, atenta contra as garantias fundamentais do investigado e visa, deliberadamente, pressionar o STJ. Para os advogados, o ato representa uma violação das garantias fundamentais de todo e qualquer cidadão, bem como da própria advocacia.
“Não é casual que todos os vazamentos verificados neste caso tenham envolvido exclusivamente elementos de acusação. Os múltiplos elementos de contraprova e o interrogatório do investigado jamais receberam qualquer publicidade. A seletividade é a prova da estratégia — e o avesso da lealdade processual”, alegam os advogados Maria Fernanda Ávila e Paulo Emílio Catta Preta em nota.
“A defesa confia na independência e no histórico institucional do Tribunal para que tais manobras não alcancem o efeito pretendido”, completam.