
Na edição de VEJA que está nas bancas, o Radar mostra que o banqueiro Daniel Vorcaro delata em um anexo próprio a trama que envolveu o Banco Master e o Banco Regional de Brasília, o BRB.
Segundo interlocutores da investigação, sobrará pouco do que foi o governo de Ibaneis Rocha no Distrito Federal, quando os relatos de Vorcaro chegarem ao ministro André Mendonça, do STF.
O desejo de Vorcaro, segundo interlocutores, é “fazer uma coisa positiva para o Brasil”.
O prazo estimado por interlocutores de Daniel Vorcaro para apresentar a totalidade da delação ao ministro André Mendonça, no STF, é de 45 dias. Preso desde 4 de março, Vorcaro vem organizando em blocos os seus detalhados relatos aos investigadores.
O dono do Master concentrou, por exemplo, todos os pagamentos de propinas e negociatas com políticos num único documento. Há um bloco específico para empresários delatados e outro para o mercado financeiro.
Vorcaro também isolou o que pretende contar sobre o Banco Central em um anexo exclusivo. Além de detalhar os fatos já conhecidos, ele deve revelar o envolvimento de novos personagens na rede de lobby do Banco Master.
O que apareceu até agora na delação indica que nem Lula nem Flávio Bolsonaro devem ser incriminados por Vorcaro. O mesmo não pode ser dito do Congresso, que terá uma bancada multipartidária revelada na delação.
Há um grande mistério sobre fatos associados a ministros do STF na delação. Se surgir alguma acusação consistente, será o plenário do Supremo que decidirá sobre a abertura de investigação contra integrantes da Corte.
Vorcaro não poderá omitir crimes na delação. Terá de contar todos os fatos, sob risco de omitir esquemas e ser desmascarado por provas já apreendidas pela Polícia Federal.
Se tentar proteger alguém e for flagrado fazendo isso, correrá o risco de ter seu acordo anulado antes mesmo da homologação.