O 4º Congresso da Abramilho, realizado esta semana em Brasília, colocou no centro das discussões os gargalos estruturais da cadeia do milho brasileira. Entre os temas mais debatidos estiveram armazenagem, Plano Safra, seguro rural e os desafios para sustentar o crescimento da produção nacional nos próximos anos.

A avaliação predominante entre lideranças do setor foi de que o Brasil ampliou sua capacidade produtiva de milho em ritmo mais acelerado do que sua infraestrutura logística e financeira.

Armazenagem preocupa produtores

A armazenagem apareceu como um dos principais pontos de atenção do evento. Representantes do setor alertaram que o déficit de silos no país continua crescendo, especialmente diante do avanço da segunda safra de milho.

O presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, defendeu maior incentivo à armazenagem dentro das propriedades rurais. Segundo ele, o Brasil ainda depende excessivamente de estruturas de cooperativas e tradings, o que aumenta custos logísticos e reduz a eficiência comercial dos produtores.

Durante o congresso, lideranças compararam o cenário brasileiro ao dos Estados Unidos, onde boa parte da produção consegue ser armazenada diretamente nas fazendas, permitindo maior flexibilidade de comercialização e redução de perdas.

Entre os principais desafios apontados estiveram:

  • insuficiência de silos em regiões de expansão agrícola;
  • alto custo para implantação de estruturas de armazenagem;
  • dificuldades de acesso a financiamento;
  • perdas causadas por gargalos logísticos durante o pico da colheita.

O tema ganhou ainda mais relevância diante do crescimento da produção nacional de milho e da expansão da indústria de etanol de milho, que demanda fluxo contínuo de abastecimento ao longo do ano.

Plano Safra entra no foco do setor

Outro eixo importante das discussões foi o próximo Plano Safra. Produtores e representantes da cadeia do milho defenderam maior previsibilidade e linhas de crédito mais adequadas à realidade atual do campo. O setor pediu:

  • ampliação dos recursos para custeio e investimento;
  • juros mais competitivos;
  • fortalecimento das linhas para armazenagem;
  • manutenção de programas voltados à modernização tecnológica.

A preocupação central é que o aumento dos custos de produção — especialmente fertilizantes, defensivos e diesel — continue pressionando as margens dos produtores.

Participantes do congresso também defenderam políticas públicas que acompanhem a transformação do milho em uma cadeia industrial mais ampla, ligada ao etanol, produção de proteína animal, biocombustíveis e exportações.

Seguro rural ganha peso diante do risco climático

O seguro rural também foi tratado como prioridade estratégica para o setor. A sucessão de eventos climáticos extremos nos últimos anos elevou a preocupação dos produtores com mecanismos de proteção financeira. Durante os debates, representantes do agro destacaram que:

  • o seguro ainda possui cobertura limitada;
  • muitos produtores enfrentam dificuldades de acesso;
  • o orçamento federal destinado à subvenção é considerado insuficiente.

O entendimento predominante foi de que o fortalecimento do seguro rural será essencial para garantir estabilidade ao crescimento da produção brasileira de milho.

Além da questão climática, produtores citaram a volatilidade de preços e os riscos geopolíticos ligados aos insumos agrícolas como fatores que aumentam a necessidade de instrumentos mais robustos de proteção.

Produção cresce mais rápido que a estrutura

A mensagem mais recorrente ao longo do Congresso Abramilho foi que o milho brasileiro entrou em uma nova fase. O cereal deixou de ser apenas uma cultura complementar e passou a ocupar posição estratégica na economia agroindustrial do país.

No entanto, representantes do setor afirmaram que a expansão da produção precisará ser acompanhada por investimentos em:

  • armazenagem;
  • logística;
  • crédito rural;
  • seguro;
  • infraestrutura de transporte.

A avaliação dos participantes é que, sem avanços nessas áreas, o Brasil pode enfrentar limitações para sustentar o ritmo de crescimento da cadeia do milho nos próximos anos.



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