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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou estar perdendo a paciência com o Irã depois de discutir a custosa e impopular guerra no Oriente Médio com seu par chinês, Xi Jinping, na quinta-feira 14. A declaração também veio após Teerã afirmar que apreendeu um navio perto dos Emirados Árabes Unidos, em meio ao bloqueio do nevrálgico Estreito de Ormuz.
“Não vou ser muito mais paciente”, disse ele em uma entrevista ao canal americano Fox News transmitida na noite de quinta. “Eles deveriam fazer um acordo.”
A Casa Branca afirmou que Trump e Xi concordaram, durante conversas em Pequim, sobre a necessidade de manter aberta a rota marítima por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos no planeta. O Irã efetivamente encerrou a navegação por lá em resposta aos ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel, que começaram em 28 de fevereiro, causando uma crise sem precedentes no fornecimento global de energia. A China é próxima do Irã e a principal compradora de seu petróleo.
Washington suspendeu ataques ao Irã mediante um cessar-fogo no mês passado, mas iniciou um bloqueio aos portos do país. As negociações para pôr fim ao conflito estão paralisadas, com o Irã se recusando a encerrar seu programa nuclear ou a abrir mão de seu estoque de urânio enriquecido.
Sobre esse tema, Trump sugeriu que os Estados Unidos só precisavam obter o material nuclear iraniano, que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) estima ser suficiente para fabricar até dez ogivas caso siga na rota do enriquecimento, por uma questão de aparências.
“Não acho que seja necessário, exceto do ponto de vista de relações públicas”, disse Trump à Fox News. “Eu me sentiria melhor conseguisse (apreender o estoque de urânio), na verdade. Mas acho que é mais para relações públicas do que qualquer outra coisa.”
Teerã nega que seu objetivo seja obter armas nucleares e insiste que o programa de enriquecimento se destina apenas a fins civis e energéticos.
Tensão no mar
Nos incidentes mais recentes em Ormuz, um navio cargueiro indiano que transportava gado da África para os Emirados Árabes Unidos foi afundado na quarta-feira em águas próximas à costa de Omã. A Índia condenou o ataque e disse que todos os 14 tripulantes foram resgatados pela guarda costeira omanita. A Vanguard, uma empresa britânica de consultoria em segurança marítima, afirmou que acredita-se que a embarcação tenha sido atingida por um míssil ou drone, o que causou uma explosão.
Separadamente, a agência britânica de segurança marítima UKMTO informou na quinta-feira que “pessoas não autorizadas” embarcaram em um navio ancorado na costa do porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, e o estavam conduzindo em direção ao Irã. Segundo a Vanguard, “a embarcação foi tomada por funcionários iranianos enquanto estava ancorada”. Fujairah é o único porto petrolífero emirati, no Golfo de Omã, e permite que algumas remessas cheguem aos mercados sem passar pelo ponto de estrangulamento.
Após as conversas entre Trump e Xi em Pequim na quinta-feira, a Casa Branca disse que os líderes concordaram que o estreito deveria permanecer aberto e que o chinês deixou clara sua oposição à militarização de Ormuz e a qualquer tentativa de cobrar pedágio por seu uso. Após a Guarda Revolucionária Islâmica bloquear a rota, anunciou cobrança de uma taxa estipulada em US$ 2 milhões para a travessia de navios autorizados.
Trump disse que Xi também prometeu não enviar armas ao Irã. “Ele disse que não vai fornecer equipamentos militares, essa é uma declaração importante”, disse o presidente americano à Fox News, acrescentando que o líder chinês também teria expressado interesse em comprar mais petróleo dos Estados Unidos para reduzir sua dependência do Estreito de Ormuz.
Em entrevista ao canal CNBC, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, que também esteve em Pequim, disse acreditar que os chineses “fariam o que pudessem” para ajudar a abrir o estreito, algo “de grande interesse para eles”.
Impasse na diplomacia
Trump esperava encontrar em Xi uma tábua de salvação para conseguir encerrar a guerra contra o Irã de maneira honrosa: o conflito se tornou um fardo eleitoral à medida que se arrasta antes das cruciais eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro, quando o controle do Congresso, atualmente nas mãos dos republicanos, estará em jogo. Mas analistas duvidam que a China esteja disposto a pressionar o regime dos aiatolás ou a encerrar o apoio às suas forças armadas, dado o valor de Teerã como contrapeso estratégico a Washington no Oriente Médio.
Mas o processo diplomático para um acordo de paz está paralisado desde a semana passada, quando o Irã e os Estados Unidos rejeitaram as propostas mais recentes um do outro.
Em paralelo, Teerã parece estar fechando mais acordos com países para permitir que alguns navios passem pelo estreito, caso aceitem seus termos. Um petroleiro japonês cruzou a passagem na quarta-feira, depois que a primeira-ministra do Japão anunciou ter feito contato com o presidente iraniano. Um enorme petroleiro chinês também atravessou, totalizando 30 embarcações desde a noite de quarta-feira, segundo a Guarda Revolucionária Islâmica — ainda muito aquém das 140 em um dia típico antes da guerra, mas um aumento substancial, se confirmado.