“Sertão é isto: o senhor empurra para trás, mas de repente ele volta a rodear o senhor dos lados. Sertão é quando menos se espera”, diz o protagonista Riobaldo em Grande Sertão: Veredas, do mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967), lançado em 1956. A mesma frase poderia ser dita sobre o livro que narra as desventuras de um grupo de jagunços pelo sertão: totem da literatura lusófona, a obra acaba de completar 70 anos e segue atual, deslumbrante e desafiadora. Que o digam seus tradutores mundo afora.

Em 2027, duas novas versões ambiciosas do calhamaço serão lançadas, em inglês e em alemão, prometendo fazer jus ao texto original, que foi descaracterizado e simplificado nas primeiras traduções, feitas na década de 1960. A missão de manter a genialidade dos escritos de Rosa não é simples: o autor criou 940 neologismos, embutiu gírias regionais, palavras indígenas e africanas e construiu uma sintaxe que desafia qualquer convenção do português. Confira, a seguir, como ficou a tradução para o inglês de alguns termos criados pelo autor:

arte Sertão Veredas
Neologismos de Guimarães Rosa exigiram esforço dos tradutores (./.)



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