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O que o peixe faz? Dessa vez, a resposta não é nada, mas, escala! Sim, peixes escalam e não uma curta distância: uma parede de 15 metros de altura. A façanha da natureza foi documentada pela primeira vez em vídeo e no artigo publicado na revista Scientific Reports nesta quinta, 2.
São milhares de peixes da espécie Parakneria thysi de menos de cinco centímetros que levam cerca de dez horas para alcançar o topo da as paredes verticais das Quedas de Luvilombo, na República Democrática do Congo. Os animais ‘rastejam’ na superfície vertical, e tudo isso enquanto a água da cachoeira cai sobre eles. Em suas nadadeiras peitorais e pélvicas há projeções em forma de gancho para se segurarem na parede e movimentos ondulatórios laterais da metade traseira do corpo impulsionam a subida.
Os autores do artigo registraram a escalada dos animais na região em quatro ocasiões de 2018 a 2020. Eles observaram o comportamento dos peixes entre 37 a 48 milímetros de comprimento ao final da época de chuvas (entre abril e maio) e em anos de chuvas abundantes.

Segundo os pesquisadores, um único peixe pode levar cerca de nove horas e 45 minutos para chegar ao topo das cachoeiras de Luvilombo. São 15 minutos de movimentação, 30 de pausas curtas e nove descansos mais longos de uma hora. Apesar do esforço, os peixes não estão imunes a quedas por conta de jatos mais fortes de água, principalmente, quando estão de ponta cabeça em trechos da subida.

As hipóteses dos autores é que os animais sobem a cachoeira para ocupar o habitat rio acima, após terem sido arrastados pela correnteza durante as grandes chuvas, ou para migrar para áreas com menos competição por comida e menos predadores como o bagre-manteiga africano (Schilbe intermedius).
Além dos perigos da natureza, as pequenas criaturas são alvo de pescadores com redes de mosquitos ilegais. Os autores do artigo alertam que a biodiversidade do rio Luvilombo está sob risco se o curso das águas for desviado para irrigar plantações antes das quedas durante o período de seca.