O estado do Pará registrou queda de 54% no desmatamento entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, com cerca de 400 km² de floresta derrubados, comparado a 863 km² no período anterior. Apesar da redução, o estado segue no topo entre os que mais desmatam na Amazônia.

A diminuição acompanha a tendência observada em toda o bioma, que registrou redução de 42% no desmatamento no segundo mês do ano. No comparativo do período, a área desmatada caiu de 119 km², em 2025, para 69 km², o que equivale à preservação de cerca de 5 mil campos de futebol mensais.

Segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Imazon), trata-se da menor área de floresta derrubada para o mês de fevereiro em oito anos, desde 2017.

“A queda no desmatamento da Amazônia é essencial para a redução das emissões de gases de efeito estufa no Brasil e para o combate às mudanças climáticas, que têm deixado eventos extremos como secas e tempestades mais intensos e frequentes em todo o mundo.”

Carlos Souza Jr., pesquisador que coordena o Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon.

Veja os índices

Amazonas e Acre completam o top 3, com 200km² e 190 km² desmatados, respectivamente. Assim como o Pará, esses estados também apresentaram redução na derrubada, com 32%.

A Reserva legal é uma área de vegetação nativa que deve ser preservada dentro de propriedades rurais no Brasil, conforme determina o Código Florestal Brasileiro. Pela legislação, o percentual de área a ser mantido varia de acordo com a localização do imóvel. Na Amazônia Legal, por exemplo, proprietários devem preservar até 80% da vegetação original em áreas de floresta.

No entanto, um decreto do governo do Amazonas, publicado em agosto de 2025, mudou esse cenário ao reduzir a Reserva de 80% para até 50% em áreas de floresta do estado. Além disso, ele diminui a quantidade de recomposição que o produtor que desmatou aquelas terras precisa compensá-las, ou seja, agora ele passa a se comprometer a reconstrui-la com o novo limite de 50%.

A legislação também diz que a regra é válida desde a publicação do decreto, o que, segundo o Observatório do Código Florestal, pode funcionar como uma anistia a desmatamentos recentes, que aconteceram antes de agosto de 2025.

“Caso produza efeitos jurídicos, esse Decreto fragiliza a proteção da floresta amazônica e garante benefícios aqueles que agiram de forma contrária à lei”, diz a nota técnica da entidade que se manifesta contra o decreto.

A CNN Brasil entrou em contato com o governos do Amazonas e do Pará, e aguarda retorno.

*Sob supervisão



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *