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O CEO da Air Canada, Michael Rousseau, anunciou nesta segunda-feira, 30, que deixará o cargo até o fim do terceiro trimestre deste ano, após ser duramente criticado por divulgar uma mensagem de condolências apenas em inglês sobre a colisão entre um avião da companhia e um caminhão de bombeiros na pista do aeroporto de LaGuardia, em Nova York.
Em vídeo publicado no X (ex-Twitter), Rousseau expressou “profunda tristeza por todos os afetados”, mas falou apenas em inglês, com legendas em francês. O acidente envolvendo um avião da Air Canada matou os dois pilotos e deixou 41 pessoas feridas em 22 de março. Um dos pilotos mortos, Antoine Forest, era do Quebec, região de língua francesa.
A maior companhia aérea do Canadá, sediada na província francófona de Quebec, informou que Rousseau comunicou sua decisão ao conselho de administração. Ele estava no cargo desde 2021 e já havia sido alvo de críticas anteriores por não falar francês em pronunciamentos.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que a atitude do executivo demonstrou “falta de compaixão”. Já o primeiro-ministro de Quebec, François Legault, declarou que Rousseau deveria deixar o cargo caso não fosse capaz de falar francês.
O caso levou o Gabinete do Comissário de Línguas Oficiais do Canadá a receber centenas de reclamações. Rousseau chegou a ser convocado a prestar esclarecimentos ao comitê parlamentar de Línguas Oficiais em Ottawa.
Posteriormente, o executivo pediu desculpas em comunicado bilíngue, afirmando não ter conseguido se expressar “adequadamente” em francês. Ele afirmou que sua limitação no idioma “desviou o foco” em relação às vítimas e disse que continua tentando melhorar, apesar de anos de estudo.
Ao anunciar sua saída, Rousseau disse que foi “uma grande honra” estar à frente da empresa e que pretende apoiar a transição de chefia. A Air Canada destacou que ele deixa o cargo após “quase duas décadas de liderança forte e dedicada”.
A questão do idioma tem peso histórico no Canadá, especialmente no Quebec, onde cerca de 80% da população fala francês e a preservação da língua é tema sensível desde o período de domínio britânico no século XVIII.