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Em uma tentativa de acabar com o chamado “golpe do falso advogado“, a Polícia Civil de São Paulo prendeu 26 criminosos em dois dias na capital e região metropolitana. Com promessa de fim de processo e, na maioria dos casos, recebimento de indenizações de maneira imediata, criminosos conseguiram convencer centenas de pessoas a realizar depósitos e até transferências por meio do Pix. Para cometer o crime, o estelionatário usa fotos de profissionais de verdade e liga se passando pelo escritório de advocacia para persuadir inocentes em troca de informações confidenciais ou transações bancárias.

Em janeiro, VEJA mostrou que investigações de desvios milionários no golpe do falso advogado apontavam elo com o PCC.

Na quinta-feira, 26, agentes da Polícia Civil encontraram uma base operacional usada como central de golpes do falso advogado no Jardim das Flores, em Suzano, na Grande São Paulo. Na ação, dez integrantes do bando, com idades entre 18 e 48 anos, foram presos em flagrante. As equipes chegaram ao endereço após denúncia anônima e flagraram os envolvidos em plena atividade criminosa. Ao perceberem a chegada da polícia, alguns criminosos tentaram destruir aparelhos celulares.

Na operação, 25 celulares, nove notebooks, cinco veículos e cadernos com anotações contendo roteiros usados nas abordagens às vítimas foram apreendidos. Já na terça-feira, 24, a polícia encontrou uma espécie de “call center” que aplicava golpes a partir de um imóvel em Ermelino Matarazzo, zona leste da capital paulista. Na ocasião, 16 estelionatários foram presos.

No fundo do imóvel, os policiais flagraram diversas pessoas com computadores. Em um dos equipamentos, foi constatada uma conversa com um comprovante no valor de 1,3 mil reais enviado por uma vítima. Em pesquisas, foi identificado um boletim de ocorrência feito em nome da autora constatando a fraude por meio do golpe do falso advogado.

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“Eles pegavam dados de processos públicos, se passavam pelo advogado da vítima e cobravam valores de taxas judiciais, honorários, entre outros”, explica o delegado Ronald Quene, titular da 1ª Cerco. No total, foram apreendidos dois carros, uma moto, mil reais em espécie, duas máquinas de cartão, 36 celulares, 58 cartões bancários, além de diversos notebooks e fones de ouvido headset, comumente utilizado por grupos criminosos estelionatários.

Como identificar o golpe

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção de São Paulo (OAB-SP) lançou uma cartilha com 21 páginas para ajudar a prevenir o golpe. “O advogado também precisa se resguardar, orientando previamente seus clientes, de forma direta ou por mensagens em seus meios de  comunicação, acerca dos cuidados básicos que devem tomar em caso de contatos solicitando o pagamento de valores”, cita a OAB paulista. Em caso de golpe concretizado, a OAB diz que o advogado deve orientar o cliente a providenciar prints da tela do celular, solicitar o envio das provas e registrar boletim de ocorrência, “a fim de evitar sua responsabilização por parte do cliente, tanto em possível representação criminal, como em possível representação ético-disciplinar. Trata-se de demonstração no sentido de que não ficou inerte diante do conhecimento do fato”. 



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