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As Forças Armadas dos Estados Unidos lançaram mais um ataque contra uma embarcação suspeita de transportar drogas no Mar do Caribe na quarta-feira 25, resultando na morte de quatro pessoas. De acordo com informações compartilhadas pelo Comando Sul do Exército americano, o barco integrava operações de narcotráfico. O episódio eleva o número de mortos em ataques americanos na região para 163.
“Informações de inteligência confirmaram que a embarcação estava transitando por rotas conhecidas de narcotráfico no Caribe e estava envolvida em operações de narcotráfico. Quatro narcoterroristas do sexo masculino foram mortos durante esta ação. Nenhum militar dos EUA ficou ferido”, escreveu o perfil oficial do Comando Sul na rede social X (antigo Twitter).
O ataque desta quarta integra um cenário maior de ofensivas americanas na América Latina. Em setembro, o Ministério da Defesa determinou que as forças armadas dos Estados Unidos na região empreguem uma repressão total a supostos “narcoterroristas”. Desde então, foram mais de 45 ataques, com 163 pessoas mortas.
A última ofensiva deflagrada pelos militares americanos havia ocorrido na última sexta-feira 20, quando o Comando Sul disse ter promovido um “ataque cinético letal” contra uma embarcação no Pacífico Ocidental, deixando dois mortos. Na ocasião, as autoridades também disseram que informações de inteligência apontavam o envolvimento com o narcotráfico.
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Esse tipo de acusação tem sido o padrão de Washington. No entanto, o Ministério da Defesa apresenta pouquíssimas provas de que as embarcações estavam transportando, de fato, drogas. Os ataques foram condenados pelas Nações Unidas e outras entidades humanitárias, com as mortes sendo consideradas execuções extrajudiciais.
Outro ponto de críticas em relação à operação diz respeito à sua efetividade. Embora o Comando Sul foque seu patrulhamento antidrogas no Caribe, somente 8% de toda a cocaína nos Estados Unidos passa pela região. De acordo com um relatório de 2020 da Administração de Combate às Drogas (DEA, na sigla em inglês), a esmagadora maioria do entorpecente (74%) entrou no país pelo Pacífico.