O fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo, reacendeu dúvidas sobre o impacto para o Brasil. Afinal, quanto o país depende do petróleo que sai do Golfo Pérsico?

Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araujo, a exposição direta do Brasil é limitada. “O Brasil importa menos de 1% de petróleo da Arábia Saudita”, afirma. Mesmo com a interrupção no fluxo pela região, o impacto físico sobre o abastecimento brasileiro será reduzido. De acordo com a Abicom, os três principais fornecedores de petróleo para o Brasil atualmente são Arábia Saudita, Argélia e Estados Unidos.

Impacto não é físico, mas financeiro

Mesmo com baixa dependência direta, o Brasil não está isolado dos efeitos de uma eventual escalada no Golfo. O Estreito de Ormuz é corredor estratégico para exportações de grandes produtores como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque. Qualquer bloqueio tende a pressionar os preços internacionais do barril.

Como o petróleo é uma commodity precificada globalmente, uma disparada nas cotações impactaria diretamente os custos de importação de derivados, como diesel e gasolina, e poderia pressionar os preços internos, ainda que o país seja grande produtor.

Efeito sobre combustíveis e inflação

Se o fechamento do Estreito provocar alta consistente do Brent, referência internacional, a pressão pode se refletir na política de preços da Petrobras e nas importações privadas realizadas por distribuidoras. Isso pode elevar o custo dos combustíveis no mercado doméstico e gerar efeitos em cadeia sobre transporte e inflação.

Continua após a publicidade

Continua após a publicidade

Além da questão logística, o principal risco está na escalada dos preços internacionais. O barril do Brent já avançou e se aproxima da faixa entre 80 e 100 dólares, com projeções de que possa ultrapassar esse patamar caso um eventual bloqueio no Estreito de Ormuz se prolongue.

Continua após a publicidade

Para Luiz Arthur Hotz Fioreze, diretor de portfólio da Oryx Capital, o impacto tende a ser imediato nas principais economias. “O preço do barril de petróleo (Brent) já disparou, aproximando-se da marca de 100 dólares, com projeções de que possa superar esse patamar caso o bloqueio se prolongue. Para os Estados Unidos, o impacto é direto e imediato”, afirma.

Segundo ele, o aumento da gasolina é um dos componentes mais sensíveis do CPI (Índice de Preços ao Consumidor) americano. Além do efeito direto nos combustíveis, o choque de energia se espalha pela cadeia produtiva, elevando custos de transporte e produção e dificultando a convergência da inflação para a meta de 2%.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *