
A um mês da Copa do Mundo de 2026, o torneio já começa a impactar o comportamento financeiro dos brasileiros. Compras de figurinhas, camisas da seleção e gastos ligados à experiência dos jogos devem movimentar o consumo durante o campeonato, mesmo em um cenário de alto endividamento das famílias.
Segundo a pesquisa “Placar das Finanças: como o futebol mexe no bolso e na dívida dos brasileiros”, realizada pela Creditas em parceria com a Opinion Box, 20% dos brasileiros afirmam que aceitariam se endividar para ver a Seleção Brasileira conquistar o hexacampeonato. Entre jovens de 18 a 24 anos, que nunca viram o Brasil vencer uma Copa do Mundo, o índice sobe para 30%.
O levantamento também aponta que, entre pessoas que já possuem dívidas, 37% aceitariam ampliar o endividamento em troca do título mundial. Ao mesmo tempo, 74% dos entrevistados pretendem gastar dinheiro ao longo da competição e, desse grupo, 80% admitem que poderiam fazer isso sem planejamento financeiro para acompanhar os jogos da Seleção.
A socialização aparece como um dos principais motores desse comportamento. Quase metade dos entrevistados, 49%, afirma que momentos como assistir às partidas com amigos e familiares justificam gastos acima do previsto inicialmente.
Segundo Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas, a Copa funciona como um gatilho emocional que altera a relação das pessoas com o consumo. “O problema é quando essa combinação de impulso, consumo e falta de planejamento começa a pressionar ainda mais um orçamento que já está fragilizado”, afirma.
A pesquisa mostra ainda que o desempenho da Seleção pode influenciar diretamente o bolso dos consumidores. Cerca de 47% disseram que poderiam aumentar os gastos caso o Brasil avance na competição, enquanto 14% admitem que poderiam se endividar para viver a experiência do torneio.
O levantamento também revela como os brasileiros relacionam a situação financeira pessoal às expectativas esportivas. Para 41% dos entrevistados, é mais fácil terminar 2026 sem dívidas do que ver o Brasil conquistar o hexacampeonato. Já 39% acreditam ser mais provável a Seleção vencer a Copa do que conseguir fechar o ano no azul.
Bets e bolões ganham espaço na Copa
Além do aumento no consumo, o estudo mostra o crescimento das apostas esportivas durante o período da Copa do Mundo. Mais da metade dos brasileiros, 56%, afirma considerar participar de bolões ou apostar em plataformas de bets durante o torneio.
Entre jovens de 18 a 24 anos, o percentual sobe para 69%, reforçando a popularidade das apostas entre consumidores mais novos. Embora 54% apontem diversão e entretenimento como principal motivação para apostar, parte dos entrevistados vê as bets como alternativa financeira. Entre aqueles que pretendem apostar, 31% afirmam buscar uma forma de ajudar a cobrir gastos do mês e 15% enxergam a prática como possibilidade de renda extra para pagamento de dívidas.
A adesão às apostas também é mais elevada entre brasileiros endividados. Segundo a pesquisa, 79% das pessoas com dívidas consideram apostar durante a Copa, contra 48% entre quem afirma não ter pendências financeiras. Para Casagrande, o cenário reforça a necessidade de ampliar o debate sobre educação financeira em períodos de maior estímulo ao consumo. “Os dados mostram que as apostas já fazem parte do cotidiano de consumo, o que reforça a necessidade de ampliar o debate sobre educação financeira, especialmente em contextos de maior exposição ao risco”, conclui.