
Jornalista, escritora, roteirista e apresentadora brasileira, amplamente conhecida por seus livros voltados principalmente ao público jovem. Com mais de 20 títulos publicados, Thalita Rebouças, 51 anos, construiu carreira sólida na literatura infantojuvenil. Em 2025, foi semifinalista do Prêmio Jabuti pelo livro Falando sério sobre a adolescência e atuou como curadora da programação da Bienal do Livro Rio 2025, celebrando seus 25 anos de carreira. Foi naqueles corredores abarrotas de livros e pessoas que ela iniciou uma jornada de sucesso. Seus roteiros mais recentes incluem o filme Traição entre Amigas, entre outros projetos televisivos com base em suas obras. Está em cartaz como atriz e cantora no musical Fala Sério, Mãe! – Elas Só Mudam de Endereço, no Roxy, em Copacabana, na zona sul do Rio. Convidada do programa semanal da coluna GENTE (disponível no canal da VEJA no Youtube, na TV Samsung Plus – canal 2059; LG – canal 126; TCL – canal 10031; e Roku – canal 221, além da versão podcast no Spotify), Thalita explica por que acha falsa a premissa de que jovens não se interessam por leitura, e comenta sobre as críticas que recebe por defender o direito de quem não quer ser mãe, tal como ela mesma. Assista.
TODAS AS IDADES. “Agora estou pegando a família inteira, não tem escapatória. Eu pego (a leitura da) mãe, pai, as mais velhas… Já, já vai estrear no Globoplay a minha série, Juntas e Separadas, que é sobre mulheres maduras e amizade feminina depois dos 40. Recentemente lancei Felicidade Inegociável e Outras Rimas (Ed. Harper Collins), também falando sobre menopausa, luto…. E estou com o musical Fala Sério Mãe, em cartaz no Roxy, no Rio”.
DE VOLTA AOS PALCOS. “Fiz teatro para perder a timidez quando tinha 14 pra 15 anos, e foi a última vez que pisei no palco, numa peça. Se fiz três peças na vida, foi muito, todas de fim de curso. Nunca fiz nada profissional. E está sendo maravilhoso, nunca achei que fosse amar tanto fazer isso. Sempre lia o roteiro junto com o (autor) Gustavo Reiz, que assina comigo a peça, e ele gostava de mim interpretando os personagens. Aí falou: ‘E a Angela Cristina? Por que não você atuar’. Respondi: ‘Vocês são bem loucos. Claro que não, gente. Não sou atriz, tenho mil coisas para fazer. Não dá’. Mas liguei pra Suzana Pires, que me deu uma força. Liguei para o meu agente, que me deu uma força. Aí falei: ‘Por que não?’. Vivo falando para todo mundo: ‘nunca é tarde pra começar nada’. Por que não se desafiar? Por que não sair da zona de conforto?”.
PREPARAÇÃO COMO ATRIZ. 4:55 “Estou exausta. É um crossfit que vocês não fazem ideia, todo o meu respeito pelos atores que fazem musical. Termino a peça falando: ‘fazer musical cansa’. Foram dois meses de ensaio, todos os dias. E não é só atuar; é cantar, dançar, decorar coreografia. E, depois do espetáculo, autografo. É bem exaustivo, a sorte é que o espetáculo é curto, nunca quis que tivesse intervalo, tem uma hora e meia. Outra coisa: nunca dormi tão bem. Fazer musical faz dormir bem, porque fico tão cansada… É também porque estou muito feliz. Realmente está sendo inesperadamente maravilhoso”.
ADAPTAÇÕES PARA A GERAÇÃO Z. “Eu trouxe algumas coisas que estava com vontade de falar, que é o grupo de mães de WhatsApp. Todas as minhas amigas falam que é uma espécie de inferno na Terra o grupo de mãe de escola. Resolvi brincar com a coisa dos emojis e das abreviações. Tem uma cena que a Ângela Cristina, que é a minha personagem, decifra com muita naturalidade as mensagens no celular da filha. E ela sabe o que é GLRSHJ (‘Galera, resenha hoje?’)”.
BASE DAS PESQUISAS. “Falo que estou há 25 anos escrevendo para eles e muda a tecnologia, muda um monte de coisa, mas a essência é a mesma, a alma é a mesma. A pesquisa hoje passa pelas redes sociais, que têm muitos influenciadores… E convivo muito com os jovens, faço muita tarde de autógrafo, viajo pelo Brasil inteiro. Há muito tempo eu estava falando com um adolescente mais velho, mas agora com a peça tem gente de 8, 9, 10 que pega o meu último livro, Diário de Uma Garota Esquisita. É um sucesso que fiz para essa galerinha que me acolheu no começo da carreira. Elas levam cartinhas, desenho… Estou em êxtase”.
JUNTAS E SEPARADAS. “A série vai estrear com o Sharon Menezzes, Nathalia Lange, Débora Lann, Luciana Paz, Matheus Solano, Bruno Mazzeo, Bruno Garcia, Luiz Cardoso… um elenco que eu estou muito orgulhosa de reunir. Direção da Mini Kerti, produção da Conspiração em parceria com a Globoplay. É a minha primeira série e falo de uma coisa que eu nunca tinha falado até então, que é a vida pós-divórcio. Me separei com 40 anos de um casamento super longo e me vi na pista de novo. Com todas aquelas dúvidas, com 40 anos”.
JOVEM NO BRASIL LÊ. “Você vai numa Bienal do Livro e o que se vê é a coisa mais linda, adolescentes com mala de mão cheia de livros. Olha, eu fico arrepiada, eu vivo isso há anos. É claro que o Brasil lê pouco se comparado a outros países, mas, gente, não dá. Eu, Paula Pimenta, Raphael Montes, tantos autores, somos pessoas lidas por jovens. Temos privilégio de ter um público exigente”.
CONCORRÊNCIA DO CELULAR. “A gente não pode achar normal ter duas pessoas, uma em frente à outra, e a outra fazendo assim (mexendo no telefone). A gente normalizou isso. Imagina eles (os jovens), que já nasceram com essa joça. Eles ainda não têm esse filtro, por isso que é tão punk ser pai de adolescente hoje”.
FALANDO DE MENOPAUSA. “Me deu vontade de escrever um livro para adultos, quando a menopausa chegou. Se tem 74 sintomas, tive 72 fácil, as mulheres não falam, ninguém avisa para você. Se tem uma coisa que aprendi ao longo desses anos todos é que eu consigo falar com leveza sobre temas pesados. Quando me vi falando de menopausa, me vi falando também de luto, porque vivi três mortes de pessoas muito importantes na minha vida, em um período de seis meses. Escrever me deu um conforto muito grande”.
DECISÃO DE NÃO SER MÃE. “Durante muitos anos, fui aquela pessoa: ‘Thalita Rebouças, que não tem filho, lança décimo livro’ ou ‘Thalita Rebouças, que não é mãe, publica na Alemanha’. Sempre era isso. E nunca vi nada parecido com ‘Raphael Montes, que nunca matou ninguém, lança sexto livro’. Eu não sei se é porque sou mulher, essa cobrança de que você só é feliz plenamente se for mãe é uma crueldade. Eu falei isso no meu livro também, no Felicidade Inegociável, porque é uma cobrança que tive de todo mundo, ainda mais por escrever para adolescentes. As pessoas falam: ‘mas como você entende tanto de mãe, se não é mãe? Gente, porque eu sou filha! Tenho orgulho de ter levantado essa bandeira, que está tudo bem não ter neném. Eu sou tão feliz, as pessoas falam que eu não gosto de criança, e não tem nada a ver. As pessoas são muito cruéis. E tem os piores: ‘quem vai cuidar de você quando você envelhecer’?. Eu trabalho para pagar alguém para não encher o saco de mim. É cruel”.
Sobre o programa semanal da coluna GENTE. Quando: vai ao ar toda segunda-feira. Onde assistir: No canal da VEJA no Youtube, no streaming VEJA+, na TV Samsung Plus ou no canal VEJA GENTE no Spotify, na versão podcast.