Uma mulher de 27 anos esfaqueou o cabeleireiro Eduardo Ferrari em um salão de beleza na Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Antes do crime, ela teria sido orientada a buscar os meios legais, mas negou a possibilidade.
A cliente havia passado por um processo capilar no mês anterior. Diante da negativa do profissional, que alegou que o serviço fora prestado regularmente, a mulher passou a agir de forma agressiva.
Ao ouvir do profissional que o serviço havia sido executado corretamente e que eventuais reparações deveriam ser buscadas pelos meios judiciais, a mulher teria respondido que “não trabalha com meios judiciais” e que “ela mesma resolve as coisas”.
Ameaças
De acordo com relatos colhidos no local, ela teria proferido ameaças antes de desferir o golpe.
“Ela nos ameaçou de morte, a única coisa que estávamos preocupados era por nossa integridade física e manter nosso trabalho em segurança”, afirmou uma testemunha que presenciou a ação.
O caso, inicialmente registrado como lesão corporal, ameaça e autolesão, é alvo de questionamentos pela equipe jurídica da vítima.
Dinâmica da agressão e prisão
A autora havia retornado ao estabelecimento para exigir a devolução do valor pago pelo serviço capilar. Diante da negativa do estorno, uma vez que o procedimento havia sido concluído, a cliente passou a agir de forma agressiva.
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Imagens mostram que a suspeita desferiu uma facada nas costas do profissional de maneira inesperada.
Funcionários e seguranças do salão contiveram a agressora até a chegada da Polícia Militar. Na delegacia, a mulher confessou o crime.
Apesar da gravidade do ferimento, Eduardo Ferrari recebeu atendimento médico e está fora de risco, embora permaneça com forte abalo emocional.
Tese de tentativa de homicídio
A advogada de defesa, Quecia Montino, argumenta que o registro policial como lesão corporal não reflete a gravidade da conduta. A defesa sustenta que a dinâmica da agressão, o local atingido (costas) e a violência empregada configuram uma tentativa de homicídio.
Além disso, o corpo jurídico analisa medidas criminais relacionadas a possíveis condutas de cunho homofóbico praticadas pela investigada durante o episódio.
“A dinâmica da agressão e demais circunstâncias merecem uma análise mais aprofundada pelas autoridades“, afirmou a advogada em comunicado.
Direitos do consumidor e suspensão de atividades
Embora o CDC (Código de Defesa do Consumidor) preveja o direito à restituição de valores ou reexecução de serviços em casos de vícios de qualidade, a legislação ressalta que o exercício desses direitos não autoriza o uso de violência.
Atualmente, o caso tramita no Juizado Especial Criminal (Jecrim). Segundo apuração junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo, não houve audiência de custódia, pois não foram localizados registros de prisão em flagrante ou mandados de prisão cumpridos no sistema processual até o momento.
O salão de beleza informou a suspensão temporária dos atendimentos para garantir a segurança e a integridade física da equipe.