No celular do desembargador Macário Judice, preso pela Polícia Federal no fim do ano passado na esteira do caso TH Joias, os investigadores encontraram mensagens de WhatsApp do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, que indicam, segundo a PF, “ajustes potencialmente criminosos”.

O material integra o relatório de 188 páginas, obtido pelo Radar, com as conclusões dos investigadores sobre as relações envolvendo o desembargador e o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar.

Em 23 de julho de 2024, Casagrande envia a Macário uma decisão desfavorável ao aliado, o prefeito de Montanha (ES), André Sampaio. “No que posso ser útil”, questiona o magistrado do TRF-2, que é do Espírito Santo e, por causa disso, era uma figura conhecida no meio político capixaba.

Casagrande pergunta se o relator do recurso do prefeito, um colega de Macário no tribunal, “aceita bem” uma ligação para falar do caso.

Macário propõe um encontro do governador com o relator do recurso do prefeito, mas Casagrande diz que queria apenas solicitar “rapidez” e “atenção” na análise do recurso.

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“É só para pedir agilidade e olhar com carinho”, diz Casagrande.

Fazendo o papel de uma espécie de advogado de defesa do aliado do governador, Macário se oferece para entregar pessoalmente ao colega desembargador, vizinho de prédio dele, o memorial do prefeito. O que é feito.

Vinte dias depois, Macário avisa ao governador, também por mensagem de WhatsApp, que o assunto “estava resolvido”. O prefeito reverteu a derrota.

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Meses depois, foi a vez de Macário pedir a ajuda de Casagrande para ceder um assessor do governo capixaba ao gabinete dele no TRF-2, o que é feito.

Para a PF, essa “troca de favores” seria “potencialmente criminosa”.

No relatório concluído em 28 de janeiro, a PF pede a Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, a abertura de inquérito no STJ para investigar o governador.

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Ao Radar, Casagrande, por meio de nota, negou ilegalidade na conversa com o magistrado, conhecido do mandatário por ser do Espírito Santo.

“O governador Renato Casagrande esclarece que a conversa foi institucional e republicana e no intuito de agilizar a tramitação do processo para encerrar uma indefinição jurídica e política em que se encontrava o município naquele momento de período pré-eleitoral. E que toda conversa foi realizada através de aplicativo de mensagens, pois não há nada sigiloso ou ilícito”, diz o governador.



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