
A Cacau Show entra na Páscoa de 2026 com previsão de crescimento acima de 13% na data, depois de registrar alta de 18% no primeiro trimestre. A rede tem 75 produtos para a Páscoa, sendo 46 inéditos, ampliou licenciamento com marcas e personagens como Harry Potter, Ursinhos Carinhosos e Bob Esponja, abriu 10 mil vagas na rede e prepara a doação de 1 milhão de ovos pelo sétimo ano consecutivo.
O ano começou bem para a empresa, que enfrentou um 2025 difícil, quando o preço do cacau saltou de cerca de 3.000 dólares para 12.000 dólares por tonelada, pressionando margens. “Usamos nosso tamanho para proteger a rede”, diz o fundador Alexandre Costa. A empresa repassou aumento médio de 12% nos preços e aposta em fechar 2026 com crescimento perto de 21%. No primeiro trimestre o crescimento registrado foi de 18%. “A tempestade está passando”, diz Costa.
A seguir confira os principais trechos da entrevista:
Como começou o ano para a Cacau Show e qual a expectativa para a Páscoa?
Alexandre Costa: O ano começou com uma energia muito boa. O preço do cacau chegou a níveis inacreditáveis e agora começou a voltar, o que já ajuda. Temos 18% de crescimento no primeiro trimestre e mais de 13% de crescimento projetado para a Páscoa. A expectativa é fechar o ano com crescimento de dois dígitos, perto de 21%.
O que a empresa preparou para a Páscoa deste ano?
Nós lançamos 75 produtos para a Páscoa, dos quais 46 são novos e 19 têm temas infantis ou nostálgicos. Tivemos grande êxito com produtos como Ursinhos Carinhosos, que venderam milhões de unidades. Já começamos a vender Páscoa e alguns itens já estão se mostrando grandes sucessos. Também estamos com campanhas de trufas e do chocolate LaCrème, que é o nosso produto ícone.
A empresa mantém ações sociais na Páscoa?
Pelo sétimo ano consecutivo vamos doar 1 milhão de ovos de Páscoa. São quase 20 milhões de reais em doações para mais de 5 mil instituições de caridade no Brasil. É uma ação muito relevante para a gente.
Licenciamento é uma estratégia importante em que medida para a empresa?
Sim. Nós temos um departamento dedicado a licenciamentos. Temos hoje 19 produtos licenciados, com marcas como Bob Esponja e Harry Potter. Isso ajuda muito porque hoje o ovo virou um presente completo. Tem brinquedo, pantufa, fone de ouvido. Muitas vezes o brinquedo sozinho custa mais do que o nosso ovo com brinde. A gente traz mais de 1.000 containers por ano da China de brinquedos para vender com nossos produtos. A gente também licencia nossas próprias marcas para terceiros. Estamos criando novos personagens, sobretudo para o parque, com um storytelling que começa lá nos maias, quando surgiu o chocolate. O Coelho Chefe é o nosso Mickey Mouse e certamente vamos licenciá-lo para muitas coisas.
2025 foi um ano difícil com a alta do cacau. Como isso afetou a empresa?
Foi muito difícil. A gente pagava 3.000 dólares por tonelada e chegou a pagar 12.000 dólares. Uma carreta que custava 1,5 milhão de reais chegou a custar 8,5 milhões. Isso impactou muito a rentabilidade, não teve muito o que fazer.
Vocês repassaram esse aumento ao consumidor?
Muito pouco. Tivemos aumento médio de 12% nos preços, que é acima da inflação, mas o custo subiu mais de 100%. Não abrimos mão da qualidade. Tem gente que diminui porção ou aumenta ingrediente mais barato. Nós não fizemos isso.
O preço do cacau já começou a cair?
Sim, ele começou a voltar. A tempestade está passando e isso ajuda muito para 2026.
Como foi a relação com os franqueados em um ano difícil?
Quando o ano fica difícil, a relação é colocada à prova. A nossa decisão foi sempre falar a verdade. A rede chegou a 90% da meta de lucratividade, enquanto nós ficamos em 62%. Usamos o nosso tamanho para proteger os franqueados.
Uma das estratégias é produzir o próprio cacau?
Hoje 5% da nossa produção já vem de fazendas próprias. Temos muita paixão pelo cacau, que ainda tem muito a ser desenvolvido. Já estamos aproveitando melhor o fruto, extraindo da polpa o mel de cacau, que é o néctar do cacau. Servimos isso nos nossos hotéis de Campos do Jordão e Águas de Lindóia e até fazemos cachaça desse mel. A gente quer trabalhar toda a cadeia, do grão ao produto, à loja, ao hotel e ao parque, tudo ligado ao cacau e ao chocolate.
O parque em Itu será inaugurado no ano que vem e é o símbolo mais recente da transformação pela qual a empresa atravessa. Como você define essa evolução?
A Cacau Show está virando um ecossistema do cacau, um ecossistema da felicidade, com chocolate, hotel e parque de diversão para criar momentos e memórias afetivas. Estamos caminhando cada vez mais para ser também uma empresa de entretenimento e conteúdo.
Medicamentos para emagrecer, como Mounjaro, podem reduzir o consumo de doces. Isso preocupa?
Eu vou te falar que isso me anima. As pessoas não vão deixar de comer aquilo que é bom. Elas vão organizar os hábitos, não comer todos os dias, mas continuam consumindo produto de qualidade. O consumo per capita do Brasil hoje é de 3 quilos por ano de chocolate. Então tem oportunidade para produto melhor.