A Petrobras iniciou uma campanha publicitária neste mês voltada para o público dos caminhoneiros. Nela, a estatal afirma que “importa de outros países para que seu caminhão nunca pare”. Mas não é isso que os dados públicos apontam. Informações da ANP revelam que a Petrobras não importou nada de diesel em abril, mesmo com o risco global de escassez do combustível provocado pela guerra no Oriente Médio.

Registros das reuniões da Sala de Monitoramento do Abastecimento de Óleo Diesel 2026, lideradas pelo Ministério de Minas e Energia, mostram que, no dia 30 de março, a ANP informou que os estoques nacionais estavam com “recomposição lenta” e que o cenário para o diesel seguia “mais pressionado, com preocupações sobre abril e sobretudo maio”. Naquele momento, com receio de escassez, a ANP já havia flexibilizado o mínimo regulatório de estoques no país. Mesmo assim, na mesma reunião de 30 de março, um representante da Petrobras afirmou que o balanço de produção por demanda estava ajustado, “sem necessidade de importações adicionais”.

A saída da Petrobras do mercado de importação neste momento de crise de oferta global tem chamado atenção de diversos atores da cadeia de combustíveis brasileira. O volume de diesel importado da estatal despencou 17% de 2025 para este ano, ao comparar as somas das cargas nacionalizadas entre os meses de janeiro e abril: de 1,4 milhão de toneladas para 1,1 milhão de toneladas.

Nos bastidores, a avaliação é que a estatal tenta evitar um impasse político e financeiro. Hoje, importar diesel significaria trazer um produto até R$ 2,50 por litro mais caro do que o valor do combustível produzido pela Petrobras. Por um lado, se reajustasse preços para compensar a importação, abriria uma crise política com o governo Lula em meio à preocupação com inflação e frete. Por outro ângulo, se absorvesse os custos internacionais para não aumentar preços, enfrentaria questionamentos de acionistas minoritários, em especial dos EUA, além do risco de disputas envolvendo governança e rentabilidade.



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