O 76º Festival de Berlim, que dura de 12 a 22 de fevereiro de 2026, está em fervor. Em meio a posicionamentos fortes sobre os protestos no Irã e a guerra entre Rússia e Ucrânia, artistas do mundo todo presentes no evento sentiram a ausência de menções à situação na faixa de Gaza e o conflito entre Israel e Palestina, e começaram a pedir para que o assunto fosse abordado.

O senso de ativismo cresceu após Wim Wenders, diretor alemão e presidente do júri do festival neste ano, declarar que o cinema é o “oposto” de política e de que o Festival não deveria se envolver com assuntos dessa natureza. A declaração despertou reações negativas, como a da escritora indiana Arundhati Roy, que cancelou sua ida ao evento após se dizer “enojada” com a fala de Wenders.

Em resposta, uma carta aberta foi enviada para a produção do festival pedindo um posicionamento sobre as investidas de Israel em Gaza. Publicada na íntegra pela revista Variety, ela foi assinada por mais de 80 pessoas, entre atores, diretores e trabalhadores do mundo do cinema. Alguns dos nomes são Tilda Swinton, Javier Bardem, Brian Cox e até o brasileiro Fernando Meirelles. “Discordamos veementemente da declaração feita por Wim Wenders, presidente do júri da Berlinale 2026, de que fazer cinema é ‘o oposto de fazer política’. Não se pode separar uma coisa da outra.” Outros trechos da carta apontam para a história da Alemanha, que viveu um genocídio durante a Segunda Guerra Mundial, e estaria apoiando um genocídio em outro país na atualidade. “Apesar das abundantes evidências da intenção genocida de Israel, dos crimes de atrocidades sistemáticos e da limpeza étnica, a Alemanha continua fornecendo a Israel armas usadas para exterminar palestinos em Gaza”, continua a carta.

O Festival de Berlim respondeu à carta por meio de sua diretora, Tricia Tuttle. No posicionamento, Tricia aponta para a diversidade de filmes apresentados no Festival e enfatiza a liberdade de expressão promovida no evento. “É difícil ver a Berlinale e as centenas de cineastas e pessoas que trabalham neste festival serem reduzidos a algo que nem sempre reconhecemos no discurso online e da mídia. Ao longo dos próximos dez dias na Berlinale, os cineastas estarão falando o tempo todo. Eles falam por meio de suas obras. Falam sobre seus trabalhos. Às vezes, falam sobre geopolítica que pode ou não estar relacionada aos seus filmes. É um festival grande e complexo. Um festival que as pessoas valorizam de muitas maneiras diferentes e por muitos motivos”, diz o comunicado.

“O que une tantos desses cineastas na Berlinale é um profundo respeito pela dignidade humana. Não acreditamos que haja um cineasta exibindo filmes neste festival que seja indiferente ao que está acontecendo neste mundo, que não leve a sério os direitos, as vidas e o imenso sofrimento das pessoas em Gaza e na Cisjordânia, na República Democrática do Congo, no Sudão, no Irã, na Ucrânia, em Minneapolis e em um número assustador de lugares”, completa.

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