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A Patagônia viveu em janeiro o período mais intenso de incêndios florestais dos últimos 23 anos, segundo dados do Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus (CAMS), da União Europeia. As chamas atingem principalmente a província de Chubut, no sul da Argentina, região situada entre o oceano Atlântico e a Cordilheira dos Andes e conhecida por destinos turísticos como Puerto Madryn, a Península Valdés e o Parque Nacional Los Alerces. Só em Chubut, cerca de 45 mil hectares já foram consumidos pelo fogo — uma área próxima à extensão total da cidade de Porto Alegre. Ao todo, o fogo já destruiu 60 mil hectares. A Patagônia é um dos maiores depósitos de água doce do mundo e cenário paradisíaco que abriga mais de 500 espécies de animais.

O incêndio ainda não foi totalmente debelado e há focos ativos em áreas de difícil acesso, sobretudo em zonas de floresta nativa e arredores de parques nacionais. A fumaça resultante da queima de árvores e vegetação atingiu níveis recordes de emissões de carbono desde o início do monitoramento do observatório europeu, em 2003. Estimativas indicam que o volume de poluentes lançado na atmosfera equivale a seis meses de poluição gerada pela cidade de São Paulo, comprometendo a qualidade do ar e colocando em risco um dos principais polos de turismo ecológico da América do Sul em plena alta temporada.

Especialistas e organizações ambientais apontam que o avanço das chamas foi agravado por cortes severos no orçamento de combate a incêndios florestais na Argentina. Em 2024, o governo federal reduziu em cerca de 80% os recursos do Serviço Nacional de Gestão de Incêndios, o que afetou diretamente a contratação de brigadistas, a disponibilidade de aeronaves e as ações de prevenção. Segundo críticos, a diminuição da capacidade de resposta retardou o controle dos focos iniciais, permitindo que o fogo se espalhasse com maior rapidez em um cenário já marcado por seca prolongada, altas temperaturas, ventos fortes e possíveis causas humanas, como negligência ou incêndios criminosos.

 



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