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Dormir bem não é apenas uma forma de aliviar o cansaço. Inúmeros estudos já demonstram que a duração e a qualidade do sono são componentes importantes da saúde física, cognitiva e emocional. Ainda assim, dados do Ministério da Saúde, coletados nas capitais e no Distrito Federal, indicam que 20% dos adultos dormem menos de seis horas por noite, um patamar considerado insuficiente para a recuperação do organismo.
No recorte por capitais, Campo Grande apresenta a menor frequência de adultos que dormem menos de seis horas por noite (14,8%), enquanto Maceió lidera o ranking, com 24,8% da população adulta nessa condição.
As diferenças também aparecem quando o recorte é gênero. Entre as mulheres, 21,3% dormem menos do que o recomendado, contra 18,9% dos homens. Nas capitais, os percentuais femininos mais elevados se concentram sobretudo no Nordeste e no Sudeste. Em Maceió, 27,9% das mulheres dormem menos de seis horas por noite, seguida por Salvador (25,2%) e Rio de Janeiro (24,8%). Entre os homens, as maiores frequências de sono curto foram observadas em Belém (24,8%), Macapá (23,8%) e São Luís (23,6%).
A escolaridade também aparece como um marcador importante. Entre pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, 26,3% dormem menos do que o recomendado. Já entre adultos com ensino superior completo, esse percentual cai para 15,9%. A desigualdade é ainda mais marcada entre as mulheres: quase três em cada dez com baixa escolaridade dormem menos de seis horas por noite.
Além de dormir pouco, brasileiros também dormem mal
Se dormir pouco já é um problema relevante, dormir mal é ainda mais frequente. Segundo o Ministério da Saúde, 31,7% dos adultos brasileiros relatam pelo menos um sintoma de insônia, como dificuldade para adormecer, despertares noturnos frequentes ou sensação de sono não reparador.
Mais uma vez, as mulheres concentram os maiores percentuais: 36,2% relatam sintomas de insônia, contra 26,2% dos homens. Diferentemente do sono curto, a insônia se distribui de forma mais homogênea entre as faixas etárias, embora atinja seu pico entre adultos de 45 a 54 anos, grupo em que 39,7% relatam noites mal dormidas.
No recorte por capitais, Maceió volta a aparecer no topo, com 38% da população adulta relatando sintomas de insônia. Na outra ponta está Natal, com 28,7%.
Doenças crônicas e saúde mental
Passamos cerca de um terço da vida dormindo e isso não é por acaso. O sono é um processo biológico essencial, que atua como regulador de múltiplos sistemas do organismo. Durante a noite, o cérebro consolida memórias, o metabolismo se reorganiza, o sistema imunológico se fortalece e o sistema cardiovascular entra em um ritmo de recuperação.
Quando esse ciclo é encurtado ou fragmentado, os efeitos vão além do cansaço do dia seguinte. O próprio Ministério da Saúde chama atenção, no relatório, para a associação entre sono curto ou não restaurador e maior risco de doenças crônicas, pior percepção de saúde, redução da qualidade de vida e impactos diretos sobre a saúde mental.