Os analistas Alessandro Soares e Helio Beltrão discutiram, nesta quinta-feira (29), no quadro Liberdade de Opinião, se a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD altera o cenário eleitoral de 2026.
Caiado anunciou sua troca de partido na noite de terça-feira (27), em um vídeo publicado em suas redes sociais ao lado dos governadores do Paraná, Ratinho Jr., e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ambos também do PSD.
Para Soares, essa decisão pode ser mais “complicada” do que o governador imagina.
“Um sujeito que está em reta final de carreira política, que vai para a última tentativa à Presidência da República, ainda que tenham mais dois candidatos no PSD, o Ratinho Jr. e o Eduardo Leite como também pré-candidatos à Presidência da República, vai haver uma acomodação geral em um partido que não é muito fácil para o próprio Caiado, na medida em que é um partido que tem também um pé no governo”, defendeu.
Para Beltrão, o país continua com uma política polarizada e uma terceira via nas eleições pode ser “engolida pelas urnas”.
“A principal consequência da ida do Caiado para o PSD é que isso vai afastar o PSD do PT. Está certo que nos estados, o partido vai ficar liberado, mas no nível federal, vai rolar uma junção de forças importante para se opor ao ‘lulopetismo’ durante a campanha”, explicou o analista.
Lewandowski e Banco Master
Nesta semana, o ex-ministro Ricardo Lewandowski disse que prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master. A atuação, segundo ele, ocorreu ao retornar às atividades de advocacia após deixar o STF (Supremo Tribunal Federal), em abril de 2023.
“Se olharmos todos os casos que estão surgindo, as relações pessoais de Daniel Vorcaro e do sistema financeiro com os governos e com o governo atual, vai perceber que o caso no ministro Lewandowski é o que tem menos problema, na medida em que ele mesmo recua, reconhece e não esconde esse contrato”, analisou Soares.
Já Beltrão considera que a consultoria não seria aceita em nenhuma país “sério” do mundo. “O fato de Lewandowski ter avisado o Lula antes de assumir o ministério só piora as coisas, a responsabilidade era do Lula, sabendo que o Lewandowski trabalhava para o banqueiro picareta, o Lula não devia ter seguido com esse convite para ser ministro”, afirmou.
PEC da Segurança
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), acordou a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública ainda em fevereiro na comissão especial. A previsão é que a votação ocorra após o Carnaval, na última semana de fevereiro.
Sobre o tema, Soares acredita que “seria essencial que nós tivéssemos um pacote em que essa PEC fosse aprovada o mais rápido possível, particularmente com a criação do sistema único de segurança pública, com centralização de dados e informações sobre crimes no Brasil, para que nós tenhamos o enfrentamento ao crime organizado mais racionalizado.
“Era preciso que as polícias locais, pelo menos flexibilizem essa resistência em relação ao projeto em nome de um bem maior”, acrescentou.
Em contrapartida, Beltrão julga que “seria melhor deixar os estados experimentarem soluções locais para a segurança, de forma que todo mundo pudesse aprender com os melhores exemplos”.
“Vamos lembrar que o real objetivo dessa PEC é uma tentativa desesperada do governo Lula de mostrar algum serviço para os eleitores nessa questão, só que a esquerda é péssima em segurança pública”, complementa.
O quadro Liberdade e Opinião vai ao ar todas terças e quintas-feiras às 7h30 durante o CNN Novo Dia.