
Para o Brasil, o efeito é quase pedagógico. Dólar mais fraco significa menos pressão inflacionária, preservação do poder de compra e um ambiente mais amigável para cortes de juros, resume o economista chefe do banco BV, Roberto Padovani. No fim das contas, essa política de dólar fraco lá fora acaba funcionando como um empurrãozinho extra para o crescimento da economia brasileira — e um alívio bem-vindo para a Bolsa e para o bolso.
Padovani lembra que desde a posse do novo governo nos Estados Unidos, em 2025, o mercado vem digerindo um dólar bem menos poderoso do que aquele que dominou os últimos anos. O movimento não é pontual: desde meados do ano passado, a moeda americana oscila em um patamar mais baixo nos mercados internacionais — e tem permanecido ali, sem muita força para reagir.
Essa fraqueza do dólar conversa diretamente com a cautela em relação à economia norte-americana. Parte do capital tem sido vendida em dólar e redirecionada para mercados emergentes. É o velho e conhecido movimento de proteção: menos concentração, mais busca por oportunidades fora do eixo tradicional. Nos mercados emergentes como o Brasil os investidores vendem dólares para diversificar os investimentos em outros países.