Iga Swiatek e Novak Djokovic se juntaram a um grupo crescente de jogadores que cobram mais privacidade fora das quadras no Australian Open, depois que câmeras flagraram um momento de frustração de Coco Gauff após uma partida, cena que, segundo a americana, deveria ter sido privada.
Gauff havia acabado de ser eliminada nas quartas de final por Elina Svitolina, em um jogo de 59 minutos, quando se afastou para uma área interna do estádio e passou a bater sua raquete no chão, visivelmente irritada.
O que a terceira cabeça de chave não sabia é que câmeras acompanhavam todos os seus movimentos. As imagens foram exibidas para o público ao redor do mundo, e Gauff reclamou da falta de qualquer espaço com privacidade, além do vestiário.
“Somos jogadoras de tênis ou animais em um zoológico?”, questionou Swiatek após a derrota para Elena Rybakina, também nas quartas de final. “Foi um exagero, claro, mas seria bom ter um pouco de privacidade. Ter seu próprio processo, sem estar sendo observada o tempo todo.”
Perguntada se havia levado a reclamação aos organizadores, a polonesa foi direta: “Qual é o sentido?”
A Tennis Australia afirmou que as câmeras em áreas de aquecimento e recuperação existem para aproximar os fãs dos jogadores, mas disse estar aberta a discutir mudanças.
“Encontrar o equilíbrio entre mostrar as personalidades dos atletas e garantir conforto e privacidade é uma prioridade”, disse a entidade à Reuters.
A americana Amanda Anisimova também comentou que já se acostumou à falta de privacidade em Melbourne Park. “Eu só mantive a cabeça baixa até chegar ao vestiário”, afirmou. “Há momentos bons que todo mundo vê. Quando você perde, nem tanto. O vídeo da Coco é complicado, porque ela não teve escolha.”
Djokovic disse entender a reação de Gauff, mas afirmou que não acredita em um futuro com menos câmeras. “É triste não poder se afastar para extravasar a frustração sem ser filmado”, disse. “Mas vivemos numa época em que conteúdo é tudo. É difícil imaginar isso mudando.”
A americana Jessica Pegula foi mais crítica e disse que a cobertura fora das quadras passou do limite. “Parece que estamos sendo filmadas o tempo todo”, afirmou. “A Coco não está errada ao dizer que o único lugar seguro é o vestiário. Isso é absurdo.”
Segundo Pegula, houve casos de pessoas ampliando imagens dos celulares das jogadoras. “Isso é completamente desnecessário. É uma invasão de privacidade.”
Swiatek destacou que outros Grand Slams, como Roland Garros e Wimbledon, oferecem áreas sem acesso de câmeras e torcedores. “Há torneios em que isso simplesmente não existe. Você está sempre sendo observada”, disse.
“Nosso trabalho é jogar tênis e falar com a imprensa. Não virar meme porque esqueceu uma credencial. Pode ser engraçado para quem vê, mas não é necessário.”