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Uma divisão do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, o ICE, irá participar de operações de segurança dos Jogos Olímpicos de Inverno, que ocorrerão em fevereiro na Itália. A informação foi divulgada por um porta-voz do órgão à agência de notícias AFP nesta terça-feira, 27. Políticos italianos reagiram à notícia, condenando a presença da polícia migratória, envolvida em polêmicas devido à repressão a estrangeiros em território americano — incluindo a morte de duas pessoas neste mês.
“Nos Jogos Olímpicos, o Serviço de Segurança Interna do ICE estará prestando apoio ao Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos EUA e ao país anfitrião para examinar e mitigar os riscos que as organizações criminosas transnacionais representam”, disse um comunicado do ICE enviado à AFP. A peça ainda explica que as operações de segurança estarão sob autoridade italiana e que, “obviamente”, a agência não realiza operações de controle migratório em território estrangeiro.
O Serviço de Segurança Interna (HSI, na sigla em inglês) é uma agência federal sob o guarda-chuva do ICE. Ele é responsável por investigar crimes como tráfico de menores, de armas e de drogas, assim como delitos cibernéticos. De acordo com informações divulgadas em seu site oficial, o órgão também é responsável por proteger cidadãos americanos “em casa, no exterior e na internet”.
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A possível presença do ICE nos jogos causou indignação na Itália, com muitas críticas à agência pela morte de dois civis americanos durante operações anti-imigração em Minneapolis. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, disse estar claro que os agentes não são bem-vindos à cidade, que será uma das sedes do evento.
“Podemos simplesmente dizer não a (Donald) Trump uma única vez?”, questionou Sala em entrevista à rádio local RTL 102.5, fazendo referência clara ao presidente dos Estados Unidos.
O mesmo tom foi visto na declaração do parlamentar europeu Alessandro Zan, do Partido Democrático. “Na Itália, não queremos aqueles que pisam nos direitos humanos e atuam à margem de qualquer controle democrático”, escreveu o político de centro-esquerda na rede social X. Zan ainda criticou a primeira-ministra Giorgia Meloni, afirmando que ela “deveria parar de receber ordens de Trump e, pelo menos uma vez, ser patriota da Itália, e não dos EUA”.
Em um primeiro momento, as autoridades italianas negaram a presença do ICE durante os Jogos de Inverno, que ocorrerão nas cidades de Milão e Cortina d’Ampezzo entre 6 e 22 de fevereiro. “O ICE nunca vai operar na Itália, uma vez que a gestão da ordem pública, da imigração e da segurança compete às nossas forças policiais”, disse o ministro do Interior, Matteo Piantedosi, na segunda-feira, 26.
No entanto, o tom do discurso foi alterado posteriormente, com apontamentos de que a agência somente ajudaria na segurança da delegação americana, que contará com o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. “Terá unicamente um papel defensivo, mas estou convencido de que não acontecerá nada”, disse o presidente da região da Lombardia, Attilio Fontana.
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Desde que retornou à Casa Branca em janeiro de 2025, o presidente Donald Trump tem empreendido uma cruzada contra imigrantes em situação irregular. Para concretizar seus objetivos, o republicano mobilizou milhares de agentes do ICE em diferentes cidades dos Estados Unidos.
O cenário gerou protestos generalizados, que ganharam ainda mais força com as recentes mortes de Renée Good e Alex Pretti, dois cidadãos americanos alvejados por agentes do ICE neste mês. Parte dos assessores de Trump na Casa Branca passou a ver a situação como um problema político crescente e discussões estão em andamento para encontrar formas de dar prosseguimento às deportações sem entrar em conflito com os manifestantes.