Os Estados Unidos e a União Europeia sancionaram a nova presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em 2018. A punição, ainda em vigor, abarca o congelamento dos bens e a proibição da entrada dela nos dois territórios.

O nome de Delcy Rodríguez consta na “Ofac List”, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA que administra e aplica programas de sanções, junto a outras autoridades da Venezuela à época. A acusação é de cometer atos antidemocráticos e de violar os direitos humanos.

Já a União Europeia justificou a sanção como uma resposta às eleições na Venezuela, as quais não considerou livres ou justas – tampouco a vitória de Maduro. As restrições aplicadas também se estenderam a outras 10 autoridades na ocasião.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escolheu Delcy Rodríguez como a “principal interlocutora” das negociações entre o país e a Venezuela. A líder chavista, que era vice-presidente desde 2018, alçou ao posto de Nicolás Maduro após os EUA bombardearem Caracas e o capturarem junto à deputada e então primeira-dama, Cília Flores, no último sábado (3/1). O casal está preso em Nova York.

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Lula e Maduro se encontram antes da cúpula dos países sul-americanos
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O ditador Nicolás Maduro e Lula
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Trump disse em entrevista à imprensa que os EUA governariam o país até que houvesse uma “transição segura, adequada e criteriosa”. Depois, afagou a nova presidente da Venezuela ao dizer que a via como a sucessora natural de Maduro.

“Ela está essencialmente disposta a fazer o que consideramos necessário para tornar a Venezuela grande novamente”, disse.

Delcy Rodríguez, por sua vez, respondeu que defenderia as riquezas naturais da Venezuela, que detém a maior reserva de petróleo do mundo. Foi então que Trump subiu o tom:

“Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro”, declarou à revista The Atlantic.

A atual presidente da Venezuela baixou o tom no último domingo (5/1). Em carta aberta, defendeu o diálogo, a paz, a cooperação internacional e um relacionamento “equilibrado e respeitoso” com outros países:

“Estendemos o convite ao governo dos EUA para trabalharmos conjuntamente em uma agenda de cooperação, voltada ao desenvolvimento compartilhado, no marco da legalidade internacional e que fortaleça uma convivência comunitária duradoura”, escreveu em carta aberta.

Maduro participou de uma audiência num tribunal em Manhattan, Nova York, na qual se declarou inocente, na última segunda-feira (5/1). Segundo os EUA, o ex-presidente da Venezuela responderá por narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, uso de armas de guerra e lavagem de recursos provenientes do tráfico. Ainda não houve julgamento.

“Não sou culpado. Sou inocente de tudo o que foi mencionado aqui”, afirmou Maduro no tribunal, para onde foi acompanhado de Cília. O ex-presidente da Venezuela também disse que é um homem decente e que é um “presidente sequestrado”.

Sucessor do ex-presidente Hugo Chávez, Maduro é visto pela Casa Branca como chefe do Cartel de los Soles há mais de duas décadas. O governo de Donald Trump, no entanto, não apresentou provas. Os EUA classificam o grupo, que teria realizado o esquema em parceria com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), como organização terrorista internacional. A acusação prevê pena de prisão com duração de 20 anos à perpétua.

Como mostrou a coluna, Delcy Rodríguez não é a única autoridade da Venezuela a figurar nas listas de sanção dos EUA e da União Europeia. Maduro também sofre restrições desde 2017. Se considerar somente o país norte-americano, a punição se estende à Cília, ao filho Nicolás Maduro Guerra, quatro sobrinhos e outros parentes. Ao todo, 11 familiares do casal Maduro-Flores estão na “Ofac List”.

Manifestações a favor e contra a captura de Maduro por parte dos EUA têm ocorrido Venezuela afora desde sábado. Chefes de estado de vários países também condenaram o ataque do governo Trump sem precedentes no continente americano. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, declarou que os bombardeios em Caracas “ultrapassam uma linha inaceitável”.

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, escreveu nas redes sociais.



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