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Faz meses que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem chacoalhando a diplomacia americana. Nesta segunda-feira, o Departamento de Estado chamou de volta pelo menos trinta embaixadores, que foram orientados a deixar seus cargos até o início de janeiro. A medida visa os funcionários nomeados durante o governo do democrata Joe Biden

Os diplomatas afetados são profissionais de carreira, tendo servido no exterior por anos, tanto sob presidentes do Partido Republicano quanto do Partido Democrata. A grande maioria dos impactados servia em postos diplomáticos na África, mas também há relatos de embaixadores sendo removidos na Europa, Ásia, Oriente Médio e América Latina. O Departamento de Estado não divulgou uma lista oficial

As remoções foram divulgadas primeiro pelo portal de notícias Politico e confirmadas pela Associação Americana do Serviço Exterior (AFSA, na sigla em inglês), que disse ter recebido relatórios confiáveis de seus membros em missões diplomáticas de que múltiplos embaixadores de carreira foram orientados a deixar seus cargos até 15 ou 16 de janeiro. Os sindicato afirmou que a medida envia uma mensagem “perigosa”.

“Isso diz aos nossos aliados que os compromissos da América podem mudar conforme os ventos políticos. E, mais uma vez, isso diz aos nossos servidores públicos que a lealdade ao país não é mais suficiente e que a experiência e o juramento à Constituição ficam em segundo plano diante da lealdade política”, afirmou a AFSA.

Mandatos de embaixadores duram entre três e quatro anos. Uma vez removidos de seus cargos, diplomatas de carreira não são demitidos, passando a ter que buscar uma nova designação. No entanto, eles são forçados a se aposentar caso não consigam se recolocar dentro de um prazo específico.

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“Isso nunca aconteceu em 101 anos de história do Serviço Exterior dos Estados Unidos”, disse o ex-presidente da AFSA, Eric Rubin, à emissora americana CNN. “Os embaixadores servem à vontade do presidente. Mas todo presidente manteve a maioria dos embaixadores profissionais de carreira no cargo até que seus sucessores sejam confirmados pelo Senado.”

Não é incomum, porém, que alguns embaixadores nomeados por razões políticas sejam removidos durante uma mudança de administração. “Um embaixador é um representante pessoal do presidente, e é direito dele garantir que tenha indivíduos que avancem a agenda da América em Primeiro Lugar (America First, em inglês) nesses países”, declarou um alto funcionário do Departamento de Estado, que define o processo como “padrão”.

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Sob nova direção

Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro deste ano, Trump tem lutado para remodelar o Departamento de Estado à sua imagem, com o mote de “colocar a América em primeiro lugar” e “fazê-la grande novamente”. Mais de 1.300 funcionários deixaram a pasta desde janeiro, incluindo cerca de 240 agentes do serviço exterior. Com o republicano Marco Rúbio na direção, o departamento agora foca nas prioridades da Casa Branca, como a redução da imigração e a promoção da visão de mundo do governo (uma em que os EUA ainda estão no centro, mas servem apenas a si mesmos).

As mudanças não agradam todo o corpo diplomático americano. Um relatório da AFSA revelou que 98% dos entrevistados, todos membros do serviço exterior, disseram que o moral havia caído desde janeiro. O documento aponta que 25% dos funcionários renunciaram, se aposentaram ou foram removidos de seus cargos, e que um terço considera deixar suas funções mais cedo do que haviam planejado anteriormente.

Rubio minimizou o relatório, afirmando que os oficiais estão “mais fortalecidos nos departamentos regionais do que jamais estiveram”.



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