Meses depois de ser devastada por um incêndio florestal de grandes proporções, a pequena cidade espanhola de La Bañeza, na região de Castela e Leão, foi surpreendida por uma reviravolta improvável: moradores do vilarejo dividirão cerca de 468 milhões de euros em prêmios da tradicional loteria de Natal da Espanha, o El Gordo.

O prêmio chega após um ano especialmente difícil para a região. Em agosto, incêndios florestais considerados entre os mais graves da história recente da Espanha destruíram cerca de 55.000 hectares de vegetação, deixaram três mortos e forçaram o deslocamento de 8.000 pessoas nas imediações de La Bañeza, que tem cerca de 10.000 habitantes. A chuva chegou tarde demais para conter as chamas.

“Depois de um ano tão terrível, essa vitória provocou uma verdadeira cascata de emoções”, afirmou o prefeito da cidade, Javier Carrera. “Ganhar na loteria é algo que caiu do céu para um lugar que precisava tanto.”

A sorte também alcançou moradores de Villablino, município próximo que comprou o mesmo bilhete premiado. A cidade ainda se recupera de um acidente ocorrido em março, quando cinco trabalhadores morreram em uma mina, uma tragédia que abalou profundamente a comunidade local.

O El Gordo, expressão que pode ser traduzida como “o gordo”, é a maior e mais tradicional loteria da Espanha, realizada anualmente em dezembro. O sorteio envolve 100.000 números, cada um repetido em 198 séries, divididas em décimos. Cada décimo custa 20 euros, e o número vencedor rende 400.000 euros por bilhete.

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No caso de La Bañeza, foram vendidas 117 séries do número premiado, o que resultou no montante de 468 milhões de euros, a ser dividido entre moradores e comerciantes que adquiriram os bilhetes.

O sorteio, transmitido ao vivo durante horas para todo o país, segue um ritual tradicional: crianças do colégio San Ildefonso, em Madri, cantam os números e os valores dos prêmios, em uma cerimônia que se repete há mais de dois séculos.

Entre as muitas superstições associadas ao El Gordo, está a crença de que comprar bilhetes em locais marcados por tragédias aumenta as chances de sorte, a ideia de que “o azar não atinge duas vezes o mesmo lugar”. Para os moradores de La Bañeza e Villablino, após um ano de perdas, a fortuna parece ter confirmado a crença.



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