
Vanessa Rocha, chef do restaurante Maria e o Boi (@mariaeoboi), no Rio de Janeiro, tem conquistado feitos, como fazer parte da lista Bib Gourmand, do Guia Michelin, nos anos de 2020, 2024 e 2025, com uma cozinha brasileira contemporânea. Ela propõe releituras regionais que resgatam suas raízes afro-brasileiras, indígenas e caiçaras, sempre com olhar criativo e autoral. Desde 2018, quando assumiu o posto no restaurante, Vanessa vem se destacando no cenário gastronômico com uma proposta que une identidade e inovação. “Mamuska”, como é carinhosamente conhecida nos bastidores, tem protagonismo no movimento da gastronomia preta, usando sua plataforma para resgatar e valorizar insumos afro-brasileiros, indígenas e quilombolas. No cardápio, pratos com pirarucu de Santarém, e muito dendê.
“Minha influência vem de base familiar e de estudos. E na Zona Oeste tem Quilombos em atividade até hoje. Meu avô era descendente indígena, e o outro afrodescendente. Trabalhar com esses ingredientes que muitas vezes não são considerados nobres ou triviais nas casas brasileiras é dar vida à nossa cultura. A comida deixou de ser apenas nutrição. Ela virou, memória, identidade, afeto, resgate. Se você quer conhecer melhor um povo, a alimentação faz essa narrativa muito bem. E estudos provam que a base alimentar brasileira, com toda sua miscigenação cultural, é uma das mais saudáveis no mundo. Os quilombos vivos hoje no Brasil trazem na alimentação a nova narrativa da imensa cozinha brasileira”, disse para a coluna GENTE.