
O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Leandro Safatle, confirmou nesta quarta-feira, 13, que a inspeção realizada no mês passado nas instalações da Química Amparo LTDA, localizada no município paulista de Amparo, detectou a contaminação pela bactéria pseudomonas aeruginosa em produtos da marca Ypê. Na semana passada, a agência determinou a suspensão da venda e uso de detergentes, lava roupas líquidos e desinfetantes com lote final 1, medida revogada por um recurso da empresa até uma nova reunião da diretoria.
A declaração de Safatle foi dada em reunião da diretoria colegiada da agência que debateria os próximos passos sobre a proibição da comercialização dos produtos, ou seja, manutenção da suspensão ou liberação das vendas. Ao informar que o debate foi adiado para a próxima sexta-feira, 15, Safatle apresentou os motivos para a resolução que vetou uma série de produtos da Ypê.
“Durante inspeção conjunta realizada em abril de 2026 pela Anvisa, pelo Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e pela Vigilância Sanitária do Município de Amparo foram detectadas 76 irregularidades abrangendo desde falhas graves relacionadas à qualidade microbiológica com identificação de pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados e até deficiências no controle de material de embalagens”, declarou.
A bactéria Pseudomonas aeruginosa, um microrganismo comum no ambiente, mas que pode causar infecções, inclusive graves, nos pulmões, na corrente sanguínea, no trato urinário em indivíduos imunossuprimidos, como pacientes em tratamento contra o câncer, pessoas que vivem com HIV e transplantados, assim como populações mais vulneráveis, caso de recém-nascidos e idosos.
Segundo o diretor-presidente, a reunião para deliberar sobre a proibição dos produtos foi adiada porque a empresa se comprometeu a apresentar medidas para a correção das problemas encontrados nesta quinta-feira, 14. Também afirmou que ela está realizando reuniões técnicas para mitigação do risco sanitário identificado e apresentou os investimentos já realizados, além de ter intensificado os esforços para adequação das irregularidades.
“Assim, reiteramos a recomendação de não utilização dos produtos listados e de buscar o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) da empresa”, afirmou.
O que diz a Ypê
Em meio à crise, a Ypê tem emitido comunicados destacando seu compromisso com a transparência e o consumidor. Em nota, afirmou que “vem realizando análises técnicas e avaliações complementares, incluindo testes e laudos independentes, que seguem sendo apresentados às autoridades competentes, reforçando o compromisso da empresa com a qualidade, a segurança e a conformidade regulatória dos seus produtos”.
A empresa disse, nas redes sociais, que triplicou a capacidade de atendimento no Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) para dar suporte às pessoas com dúvidas.
A reportagem de VEJA acionou a Ypê para comentar as declarações do diretor-presidente da Anvisa e aguarda uma resposta. O texto será atualizado com o posicionamento.