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O Brasil foi escolhido sede da Copa de 2014 em 30 de outubro de 2007, e a partir daquele dia o assunto dominou o país. Quais seriam as cidades-sede? Precisa construir novos estádios? Reformar os antigos? Craques como Kaká e Ronaldinho Gaúcho chegariam inteiros para jogar? As manifestações políticas de 2013 foram embaladas pelo tema, e no ano do torneio, para onde você olhasse, havia imagens e decorações alusivas à Copa do Mundo.
Os Estados Unidos são um país muito diferente.
Quem passeia pelas ruas de Los Angeles precisa estar muito atento para notar qualquer referência que indique que o maior evento esportivo do planeta está a quatro dias da cerimônia de abertura da Copa no país, com estreia da seleção americana no principal estádio da cidade. Não há bandeiras, não há clima, não há conversa. O país do futebol americano, do basquete e do baseball ainda não virou a chave.
Timidamente, as prefeituras da região anunciaram alguns espaços públicos onde os jogos serão transmitidos. VEJA visitou alguns desses locais. Na praça Tellefson Park, escolhida para receber transmissão pública do jogo de estreia dos Estados Unidos contra o Paraguai no dia , no dia 12 de junho, funcionários da prefeitura podavam árvores para dar espaço a um telão, e só. Nenhuma decoração, nenhum outdoor. Nenhum sinal de Copa.

A maior fan fest de Los Angeles está prevista para o Coliseum, uma arena para 15 000 pessoas que recebe os jogos do time de futebol americano da USC (Universidade do Sul da Califórnia). A icônica entrada do estádio, palco das lutas de boxe nos Jogos Olímpicos de 1984, não exibe nenhuma referência ao torneio. Os portões laterais já foram envelopados com a identidade visual da Copa, mas o maior termômetro do interesse popular — os camelôs que ficam em frente ao estádio — não vende uma única bandeirinha, camisa ou mascote do Mundial.

Outra fan fest vai acontecer no Old Farmer’s Market, uma mistura de feira gastronômica com shopping center a céu aberto. Há alguns cartazes, não muito grandes, espalhados pelo local para anunciar o evento, e a venda de ingressos a cinco dólares por dia. A estrutura para receber as pessoas e transmitir as partidas, porém, ainda está em construção atrás de cercas vivas, e o tamanho não impressiona: é o centro de uma praça de alimentação de centro comercial. Há bem na frente uma loja da Nike, patrocinadora oficial da seleção dos Estados Unidos (e também do Brasil). Ainda que ali haja referências à Copa, sua fachada não está mais decorada do que o normal.

Nos jornais, sites e telejornais, o assunto praticamente não existe. Nas publicações exclusivas de esporte, o que domina as manchetes são as finais da NBA entre o San Antonio Spurs e o New York Knicks, e o mercado de transferências do futebol americano e a temporada de baseball.
A reportagem conversou com transeuntes nas ruas. Eles sabiam que a Copa do Mundo está chegando, mas não sabiam quando começava — e alguns desconheciam até que a seleção dos Estados Unidos jogaria aqui, em Los Angeles.
Ainda faltam cinco dias, e os preços salgados de ingressos e hotéis ajudam a explicar o vazio. Some-se a isso o fato de que esta Copa, com 48 seleções, foi estendida para 39 dias — nove a mais do que nas edições anteriores — o que encarece e complica o planejamento dos visitantes. Os turistas estrangeiros ainda não chegaram.
Tomara que cheguem. Os Estados Unidos vão precisar dos estrangeiros para trazer o clima de Copa ao país do futebol americano.