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A combinação entre tensões no Oriente Médio e fatores domésticos continua pesando sobre os mercados financeiros. Para o economista-chefe e sócio-fundador da Fórum Investimentos, Bruno Perri, a principal preocupação dos investidores segue sendo o impacto do conflito sobre o petróleo, considerado hoje a variável mais sensível para a economia global. Embora existam sinais de avanço nas negociações por um cessar-fogo, o especialista alerta que o mercado já passou por diversas tentativas frustradas de pacificação. “Tomara que dessa vez seja um acordo mais perene, pois a gente teve diversas idas e vindas”, afirmou.

O petróleo, sempre ele

Na avaliação de Perri, o petróleo foi a principal faísca para a turbulência observada nos mercados nos últimos meses. “O petróleo, que é a grande variável chave, foi talvez a faísca principal que gerou essa tempestade perfeita que afetou nossa curva de juros”, explicou. Com os preços da commodity ainda pressionados acima de US$ 90 por barril, investidores seguem monitorando qualquer movimento envolvendo o Irã, Israel e seus aliados, já que os efeitos se espalham por inflação, juros e crescimento econômico.

A guerra pode acabar, mas os problemas continuam

O economista destaca que o problema atual não está na capacidade de produção dos países exportadores, mas sim na logística. O principal gargalo continua sendo o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte mundial de petróleo. “A questão agora é logística, mais do que de produção. O petróleo existe. O problema é que o petróleo não consegue passar ali pelo estreito e não chega ao seu destino”, afirmou. Segundo ele, a presença de minas marítimas e a resistência das seguradoras em cobrir embarcações que trafegam pela região dificultam uma normalização rápida do fluxo.

Antecipação de acontecimentos

Mesmo assim, Perri lembra que os mercados financeiros costumam antecipar os acontecimentos. Para ele, o petróleo pode começar a recuar antes mesmo da retomada completa da circulação de navios. “É muito possível que a gente veja o petróleo recuando antes mesmo do petróleo voltar a chegar no destino final”, disse. Ou seja, uma sinalização política clara de estabilidade pode ser suficiente para reduzir parte do prêmio de risco embutido atualmente nos preços.

Ambiente desafiador para a Bolsa

No Brasil, a bolsa também sente os reflexos desse ambiente mais desafiador. O Ibovespa registrou oito semanas consecutivas de queda, a maior sequência da história do índice. Segundo o economista, é resultado da combinação de fatores externos e internos. Parte do capital estrangeiro migrou para mercados desenvolvidos em busca de empresas ligadas à tecnologia e inteligência artificial, segmentos praticamente inexistentes na bolsa brasileira. Ao mesmo tempo, a inflação e os juros elevados aumentam a atratividade da renda fixa. “Existe uma correlação inversa entre esses juros e a bolsa. O custo de oportunidade de se investir na renda variável vai ficando mais alto”, explicou.

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Otimismo no longo prazo

Apesar do cenário negativo no curto prazo, Perri vê espaço para recuperação. Ele observa que muitos investidores aproveitaram os níveis próximos de 200 mil pontos registrados em abril para realizar lucros, contribuindo para a correção recente. Ainda assim, considera que os preços atuais voltaram a ficar atrativos. “A bolsa começa a ficar muito interessante a nível de preço e múltiplos de novo, descontados”, afirmou. Para o economista, um acordo mais duradouro no Oriente Médio pode funcionar como o gatilho necessário para devolver confiança aos mercados e recolocar a bolsa brasileira entre os destaques do ano.



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