O candidato de esquerda Roberto Sánchez ultrapassou nesta segunda-feira, 8, a direitista Keiko Fujimori na contagem oficial do segundo turno das eleições presidenciais do Peru. Com quase 94% das urnas apuradas, ele passou a liderar a disputa com 50,008%, uma distância de apenas 3.000 votos em comparação à rival. Trata-se, portanto, de um empate técnico. Ao que o cenário indica, o futuro mandatário será escolhido por margem estreitíssima, cédula a cédula (por lá, o voto é impresso). 

Os peruanos foram às urnas no domingo 7. O primeiro turno foi conturbado, com atrasos na contagem de votos e denúncias de irregularidades. A apuração só foi terminar mais de um mês após o pleito, realizado entre 12 e 13 de abril, e definiu Sanchez como o oponente de Fujimori. O ex-prefeito de Lima, Rafael López Aliaga, foi derrotado por apenas 21.210 votos, o equivalente a 0,137% do total.

Acredita-se que a vantagem de Sánchez, que foi ministro do ex-presidente Pedro Castillo, aumente à medida que cheguem os votos das zonas rurais — uma história base eleitoral da esquerda. Apesar disso, não é possível prever quem sairá vencedor, já que menos de 1% dos votos do exterior foram contabilizados.

Mais de um milhão de peruanos, maioria eleitores de direita, estão aptos a votar fora do país. No primeiro turno, pouco mais de 400 mil deles participaram do pleito. Além disso, atas impugnadas com 400 mil votos também precisam ser analisadas. Esse processo pode levar dias, atrasando a divulgação do resultado final.

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Promessas de campanha

Sánchez defende uma “refundação” do país, com nova Constituição, maior autonomia regional e ampliação do controle estatal sobre recursos naturais. O esquerdista acusa a adversária de integrar a “ditadura” do Congresso peruano, por trás de impeachments em série de presidentes. Ele também amenizou o discurso ultranacionalista e disse que deseja ter uma relação “respeitosa” com os Estados Unidos.

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Já Fujimori aposta em um discurso de segurança pública em meio ao aumento da violência no país. Entre suas propostas, estão a construção de mais presídios, a retomada de tribunais com “juízes sem rosto” — mecanismo usado durante o governo de seu pai e criticado por organizações de direitos humanos — e a saída da Corte Interamericana de Direitos Humanos, para endurecer os julgamentos de criminosos.

O Peru teve nove presidentes na última década, dos quais apenas três foram eleitos e sete assumiram interinamente. Todos os líderes que chegaram ao poder através das urna foram condenados e presos por escândalos de corrupção. Pedro Castillo, que governou até 2022, foi parar atrás das grades por tentar implementar um autogolpe de Estado. O próximo mandatário será, portanto, o décimo em dez anos.

Em meados de maio, o Ministério Público do Peru pediu que Sánchez seja condenado a mais de cinco anos de prisão por omitir contribuições de campanhas entre 2018 e 2020 ao órgão eleitoral do país. O MP encontrou inconsistências nos relatórios financeiros do partido Juntos pelo Peru em campanhas para eleições regionais e municipais que ele participou. Se eleito, ele ele terá imunidade.

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“A Roberto Sánchez é atribuída a autoria dos crimes de falsa declaração em procedimento administrativo e falsificação de informações sobre contribuições e receitas de organizações políticas”, afirmou a acusação.

 



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