Belo Horizonte – A Prefeitura de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, informou que está programada para a tarde desta segunda-feira (8/6) uma reunião entre representantes da Secretaria Municipal de Saúde e do Ministério da Saúde, após a suspensão da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cerca de 500 mil doses foram aplicadas desde janeiro deste ano em Botucatu (SP), Maranguape (CE), além da cidade da Grande BH.
Até o momento, foram identificados 42 episódios de reações severas associadas ao momento da aplicação da vacina. Entre eles, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos. Os eventos já haviam sido observados durante os estudos clínicos.
A cidade foi escolhida para receber o projeto-piloto da vacina, aplicada em dose única a moradores de 15 a 59 anos desde 17 de janeiro.
Dados preliminares mostram que, até 8 de março, quase 27 mil doses haviam sido aplicadas, o equivalente a cerca de 34% do público-alvo. A meta era vacinar pelo menos 50% da população elegível em um curto período.
O Metrópoles procurou a Prefeitura, mas o município informou apenas que mais informações sobre o tema serão divulgadas após a reunião.
Como medida de precaução, as autoridades orientaram que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para acompanhamento. O objetivo é monitorar o surgimento de possíveis reações adversas e garantir atendimento adequado caso sejam identificados sintomas relacionados à vacinação.
Sobre a vacina
Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é considerada a primeira contra a dengue produzida integralmente no Brasil e a primeira do mundo a ser aplicada em dose única.
Estudo publicado neste mês na revista científica Nature Medicine apontou que a vacina teve eficácia superior a 80% contra casos graves de dengue e dengue com sinais de alerta ao longo de cinco anos.
Os resultados também indicaram proteção contra hospitalizações e eficácia geral de cerca de 65% na prevenção de casos sintomáticos da doença.
A reportagem também entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e aguarda posicionamento.