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Os assessores de investimento chamados de advisors de Wealth Management estão hoje debruçados sobre um tabuleiro bem mais complexo: petróleo volátil, juros em alta, inflação persistente, mudanças nas taxas americanas, guerras e decisões repentinas de governos, em especial o de Donald Trump. Em vez de olhar apenas para a inflação brasileira, a Selic ou a alta do dólar, a análise começa pela geopolítica, que passou a comandar a economia global e a influenciar diretamente o rumo dos investimentos. E por conta desse novo tabuleiro político-econômico, a área de research tem se tornado peça-chave nas avaliações econômicas e de investimentos.
A coluna teve acesso a estudos recentes de profissionais de research com clientes de bancos internacionais. Eles mostram que o aumento das tensões e dos riscos geopolíticos já é apontado como o principal fator na hora de decidir onde aplicar o dinheiro. Isso vale tanto para grandes fortunas quanto para a classe média em processo de formação de patrimônio.
Logo depois dessa preocupação com a geopolítica, vêm o ambiente macroeconômico e a maior volatilidade dos mercados, citados por uma parcela relevante dos investidores globais. O medo de recessão, de mudanças bruscas nas expectativas e de fortes oscilações diárias nos preços dos ativos faz com que muita gente questione se vale assumir mais risco agora ou priorizar a preservação de capital.
Nesse contexto, tecnologias emergentes também ganham destaque: ao mesmo tempo que criam oportunidades, trazem o risco de tornar modelos de negócio tradicionais rapidamente obsoletos. O investidor precisa decidir quanto da carteira pode ficar exposto a esses temas sem comprometer sua segurança.
Inflação, juros e regulação formam um segundo bloco que segue muito presente nas conversas entre advisors e clientes. Os movimentos das taxas americanas, somados à política monetária local, determinam a atratividade de renda fixa, crédito privado e previdência, enquanto novas regras – inclusive ambientais – afetam custos das empresas e critérios de seleção de fundos.
Há ainda uma preocupação crescente com riscos ambientais, que por enquanto aparece com peso menor, mas tende a crescer à medida que eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes. Essa combinação de forças reforça a percepção de que, num mundo interconectado, decisões tomadas em Washington, Moscou, Pequim ou no Oriente Médio podem mexer com o bolso do investidor brasileiro.
Para os profissionais de Wealth Management, o recado desses estudos é claro: antes de discutir produtos, é preciso mapear quais riscos o cliente está disposto a carregar em cada um desses eixos – geopolítico, macroeconômico, de volatilidade, tecnológico, inflacionário, regulatório e ambiental. Entre os mais abonados, isso se traduz em estratégias sofisticadas, com maior uso de investimentos globais, proteção cambial e ativos alternativos. Para a classe média, o movimento passa por combinar proteção em renda fixa local com uma exposição gradual e bem planejada a fundos multimercados e ações, inclusive internacionais.
No fim, a mensagem é de que já não basta acompanhar apenas o noticiário econômico doméstico ou a cotação do dólar. O investidor que deseja atravessar esse ciclo de incertezas com mais tranquilidade precisa entender que a geopolítica virou o novo “primeiro filtro” das carteiras. Com o apoio dos advisors de Wealth Management, a tarefa é transformar um cenário de crises e choques externos em um plano coerente de longo prazo, que permita proteger o patrimônio, aproveitar oportunidades pontuais e manter a rota de acumulação de riqueza mesmo quando o noticiário parece jogar contra.