Com mais de três décadas de atuação nos bastidores do entretenimento, Fabio Almeida, 48 anos, construiu uma carreira rara no mercado brasileiro: começou carregando equipamentos, afinando instrumentos e operando palcos antes de se tornar um dos principais estrategistas da gestão artística do país. A bagagem o levou ao centro de um debate sobre audiovisual na Rio2c, onde analisou a profissionalização da área técnica antes vista como apoio, mas que hoje tem papel direto na experiência do público.

Nascido na Bahia, Fabio é administrador de empresas, com especialização em Gestão Estratégica de Tecnologia da Informação, e participou da construção de algumas das carreiras mais relevantes da música nacional. O seu nome está diretamente ligado à trajetória de Ivete Sangalo. Ele foi sócio da empresa responsável pelo gerenciamento da carreira da cantora durante 12 anos, período no qual participou do desenho estratégico da imagem da baiana, da negociação de contratos publicitários, da captação de recursos para projetos e da gestão de turnês.

Ao longo dos anos, o executivo ampliou sua atuação para outros nomes importantes da música baiana. Participou da gestão de carreiras e projetos de Claudia Leitte, Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Luiz Caldas e Léo Santana. Também esteve à frente do lançamento da carreira solo de Saulo Fernandes após sua saída da Banda Eva. A experiência o levou a atuação em projetos que renderam reconhecimento internacional, incluindo um Emmy pelas cerimônias dos Jogos Pan-Americanos de 2007.

Atualmente à frente da Join Entretenimento, da Tha House Company e do Back Stage Lab, Fabio acompanha de perto as transformações do setor, tanto no desenvolvimento de projetos musicais, quanto na formação técnica dos profissionais. Para ele, o entretenimento deve ser entendido como uma indústria ampla e complexa, formada por diferentes produtos, modelos de consumo e uma extensa cadeia de serviços. “O entretenimento é pulsante. Existem muitos profissionais competentes em diversas áreas e muita criatividade e busca por inovação”, afirma à coluna GENTE.

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A visão estratégica construída ao longo de décadas também faz com que Fabio tenha um olhar crítico sobre a cultura da viralização que domina as redes sociais. Segundo ele, o sucesso duradouro não depende apenas da exposição momentânea. “O mercado é inundado de personalidades em busca de visibilidade. Cada uma ao seu modo, buscando um lugar ao sol”, observa. Para ele, permanecem em evidência aqueles que conseguem construir autoridade e uma narrativa consistente. “Saber quem você é e conciliar isso com os interesses do público tende a gerar maior continuidade e consistência”, resume.

Quando analisa a gestão de talentos, Fabio defende que o princípio básico é o mesmo para qualquer área artística: responsabilidade, transparência e capacidade de relacionamento. “Ambos passam por gestão de relação. Diálogo e escuta são fundamentais em qualquer um dos casos”, afirma ao comparar o trabalho com músicos, atores e influenciadores.





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