Com o avanço da IA (inteligência artificial), muitas discussões sobre o futuro da tecnologia ganharam força. Entre elas, há uma teoria que sugere que a internet estaria deixando de ser um espaço dominado por pessoas e passando a ser ocupada por bots: a Teoria da Internet Morta.

Segundo essa hipótese, grande parte do que vemos diariamente na internet não seria produzido por pessoas, mas por sistemas de inteligência artificial.

O que é a Teoria da Internet Morta?

Antes de mais nada, é importante destacar que a Teoria da Internet Morta não é um estudo nem um levantamento sobre o uso de bots e da inteligência artificial. Na verdade, trata-se de uma teoria conspiratória que surgiu na própria internet, a partir de discussões e mensagens publicadas em fóruns online.

Não é de hoje que milhares de bots circulam pelas redes sociais. Um exemplo disso são perfis com pouco ou nenhum engajamento que recebem dezenas de milhares de curtidas de contas que não parecem pertencer a pessoas reais.

A Teoria da Internet Morta defende justamente que, hoje, a internet aconteceria principalmente por atividades de bots e conteúdos gerados automaticamente, manipulados por algoritmos para controlar os usuários.

Isso quer dizer que os vídeos, as imagens, as publicações e todos os outros conteúdos que estão disponíveis atualmente na internet seriam criados por agentes de IA.

Segundo a teoria, desde 2016 ou 2017, as interações genuínas entre pessoas teriam começado a reduzir drasticamente. Assim, perfis falsos teriam passado a inflar o engajamento nas redes sociais, enquanto os comentários seriam gerados por algoritmos.

Também é citado que mecanismos de busca, como o Google, filtrariam parte do conteúdo que é considerado “autêntico”. Para os defensores da teoria, empresas e até governos manteriam exércitos de bots para “moldar” a opinião pública.

Onde a Teoria da Internet Morta surgiu?

A ideia começou a aparecer em fóruns online em meados de 2010, mas ela começou a ganhar mais destaque somente em 2021. Um post anônimo no fórum Macintosh Cafe, atribuído ao usuário “IlluminatiPirate”, foi um dos primeiros a descrever a teoria em detalhes.

O nome da publicação original é “Dead Internet Theory: Most of The Internet Is Fake”, o que significa “Teoria da Internet Morta: A maior parte da internet” é falsa em portugues.

Na publicação, o autor afirma que a internet teria “morrido” em 2016. Nessa visão, grande parte do conteúdo que vemos hoje nas redes sociais seria gerada por inteligências artificiais ou reproduzida por bots.

Existem muitos bots na internet?

Os bots já estão presentes em praticamente toda a internet, mas é importante entender que existem diferentes tipos de bots. Segundo o relatório Imperva Bad Bot Report de 2024, quase metade do tráfego global tinha origem em acessos automatizados e uma parcela relevante é formada por bots maliciosos.

Outras estimativas indicam que entre 40% a 50% do tráfego pode ter origem “robótica”. Isso acontece porque, além das IAs conversacionais, há muitos sistemas operando em segundo plano na rede.

Porém, também existem bots legítimos. Por exemplo, os robôs que fazem o trabalho de indexação das buscas do Google. Por outro lado, os bots maliciosos podem espalhar spam, sondar vulnerabilidades, distorcer métricas ou simular engajamento falso.

Outro fenômeno são as fazendas de cliques, ou click farms; essas operações combinam trabalho humano e automação para gerar milhões de curtidas, visualizações, comentários e seguidores falsos.

Moltbook: a rede social dos bots

O Moltbook foi um caso recente que parecia transformar a Teoria da Internet Morta em realidade; mas ainda não foi dessa vez.

A plataforma se apresentava como “a primeira rede social só para IAs autônomas” e prometia reunir agentes inteligentes capazes de conversar livremente entre si. Relatos afirmavam que bots do Moltbook discutiam religião, independência em relação aos seus criadores e mais.

Mas nem tudo era o que parecia. Especialistas em segurança mostraram que parte das publicações era resultado de uma suposta “consciência coletiva” das IAs. Na verdade, muitos desses conteúdos foram influenciados ou até mesmo criados por humanos que se passavam por bots dentro da plataforma.

Já existe muito conteúdo gerado por IA

Um estudo de pesquisadores da Stanford University, Imperial College London e Internet Archive apontou que 35,3% dos novos sites lançados em meados de 2025 continham conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial. Antes de 2022, esse número era praticamente inexistente.

Não é à toa que esse movimento pode ser observado em toda a internet. Postagens em massa são escritas por chatbots, imagens são criadas por sistemas de IA e até podcasts e vídeos podem ser editados automaticamente.

Principais tipos de conteúdo gerado por IA atualmente:

  • Blogs, notícias e até memes textuais produzidos por sistemas de IA;
  • Publicações em redes sociais, legendas, comentários e conteúdos de marketing criados automaticamente;
  • Imagens, ilustrações, artes digitais e peças gráficas geradas por IA;
  • Vídeos, áudios, dublagens e até deepfakes produzidos por ferramentas automatizadas;
  • Chatbots de atendimento, assistentes virtuais e trechos de código gerados por IA.

Teoria da Internet Morta pode se tornar realidade?

Até o momento, não existem evidências conclusivas de que a internet tenha realmente “morrido”, como sugere a teoria.

Os estudos mais recentes sugerem que a rede está passando por uma transformação, em que os conteúdos e interações produzidos por pessoas reais se misturam cada vez mais com sistemas automatizados e ferramentas de inteligência artificial.

Apesar de bots e sistemas de inteligência artificial estarem cada vez mais presentes na internet, não existem provas de que exista um controle centralizado capaz de substituir completamente a atividade humana online.

Por isso, a Teoria da Internet Morta continua sendo observada principalmente como uma teoria conspiratória ou até uma metáfora para discutir os efeitos da automação.



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