A ameaça de um novo tarifaço dos Estados Unidos sobre importações brasileiras caiu como uma bomba sobre a campanha digital de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência. Nas redes sociais, prospera a narrativa da esquerda que atribui o anúncio à atuação do clã Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump e fracassam as tentativas da oposição de colar o tema ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Desde que a Casa Branca divulgou a possibilidade de novas tarifas contra o Brasil, na noite de 2 de junho, circularam mais de 563.000 publicações centradas na narrativa do “TariFlávio” — quase dez vezes o volume de posts que embalaram o anúncio como “Culpa de Lula” (59.000). O levantamento foi divulgado pelo instituto Democracia em Xeque, que monitora o debate político no ambiente digital.

Conforme o relatório, as postagens que responsabilizam Flávio Bolsonaro acumularam 4,7 milhões de interações (entre curtidas, comentários e compartilhamentos), ao passo que as publicações que culpam Lula somaram pouco mais de 606.000 interações.

Gráfico de barras comparando
Volume e engajamento de posts sobre o possível novo tarifaço dos EUA, segundo levantamento Democracia em Xeque publicado em junho de 2026 (Democracia em Xeque/Reprodução)

‘TariFlávio’ domina o debate entre atores políticos e narrativa da direita se dispersa

Na análise dos principais atores políticos, a narrativa do “TariFlávio” foi predominante. O Democracia em Xeque analisou 6.216 posts em um universo de 16.000 perfis que norteiam o debate político nas redes, incluindo autoridades, influenciadores e imprensa, nas redes Facebook, Instagram, YouTube, X (ex-Twitter) e TikTok.

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A responsabilização do clã Bolsonaro pela possível taxação concentrou mais da metade das postagens, superando o discurso que culpa Lula e as discussões relacionadas envolvendo outros presidenciáveis de direita, as justificativas americanas para a sobretaxa e a medida da Casa Branca que transformou PCC e CV em grupos terroristas.

Gráfico de barras mostrando a distribuição do debate:
Volume de posts sobre o novo tarifaço e outras ações dos EUA, segundo levantamento Democracia em Xeque publicado em junho de 2026 (Democracia em Xeque/Reprodução)

Chama à atenção que o tema do “TariFlávio” dominou não apenas as publicações no campo da esquerda (72% do total), mas também pautou a discussão na direita, equivalendo a 46% do volume de posts. Os esforços da oposição para “abafar” a narrativa e desviar o foco para Lula, facções terroristas e outros presidenciáveis tiveram pouca adesão no meio direitista.

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Gráfico de barras empilhadas mostrando o que foi assunto em cada categoria: Esquerda, Direita e Imprensa. A legenda indica
Volume de posts sobre o novo tarifaço e outras ações dos EUA, segundo levantamento Democracia em Xeque publicado em junho de 2026 (Democracia em Xeque/Reprodução)

“O contraste é entre a coesão da esquerda em torno de um único tema e a dispersão da direita entre a defesa e a tentativa de transferência de responsabilidade, assimetria que ajuda a explicar por que o campo conservador não conseguiu reverter o enquadramento dominante no período”, diz a análise do Democracia em Xeque.



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