
Nos bastidores do Ministério dos Transportes, o número mágico passou a ser R$ 450 bilhões. É essa a meta fixada para o volume de investimentos privados contratados até o fim de dezembro. A fatura atual, que orbita a casa dos R$ 240 bilhões, é considerada apenas o ponto de partida. Diante do ceticismo do mercado sobre como quase dobrar esse valor em poucos meses, a garantia dada pela pasta é direta: a meta será cumprida estritamente com o asfalto, sem depender do modal ferroviário. Para fazer a conta fechar, a estratégia de George Santoro envolve uma engenhosa engenharia regulatória e contábil.
Quem acompanha os cálculos de perto sabe que o segredo do salto bilionário está no “valor de face” dos novos contratos de concessão rodoviária da B3, que inflam o balanço ao somar não apenas as obras físicas (Capex), mas todo o custo operacional e de manutenção das rodovias por 30 anos (Opex). No entanto, o verdadeiro acelerador contábil corre longe do martelo do leilão: são as repactuações de contratos “estressados” junto ao TCU. Ao renegociar concessões antigas e estendê-las em troca de investimentos imediatos, o ministério consegue aditivar dezenas de bilhões de reais ao balanço final de uma só canetada. Se a engenharia financeira funcionar e o apetite do mercado pelas debêntures continuar alto, Santoro pretende fechar o ano provando que o asfalto, por si só, virou o maior PIB privado do país.