O governo de Donald Trump nomeou um condenado pela invasão ao Capitólio para um cargo em uma das áreas mais sensíveis do Pentágono, segundo informações publicadas pelo jornal Washington Post nesta quarta-feira, 3.

Elias Irizarry, que se declarou culpado por participar do ataque ao Congresso americano em 6 de janeiro de 2021, passou a integrar um escritório responsável por supervisionar operações militares secretas, incluindo ações de contraterrorismo e missões especiais conduzidas pelas Forças Armadas dos Estados Unidos.

Irizarry tinha 19 anos quando participou da invasão ao Capitólio, quando apoiadores de Trump tentaram impedir a certificação da vitória eleitoral de Joe Biden.

Segundo o Washington Post, ele foi designado para o a divisão de guerra irregular e contraterrorismo, uma ala do Escritório de Operações Especiais e Conflitos de Baixa Intensidade do Departamento de Defesa. A equipe, composta por cerca de 40 integrantes, atua em áreas como segurança de embaixadas, resgate de reféns, recuperação de militares em territórios hostis e supervisão de operações especiais consideradas estratégicas para a segurança nacional americana.

Pessoas familiarizadas com a estrutura disseram ao jornal que se trata de uma das áreas mais delicadas do Pentágono e que os cargos normalmente exigem autorizações de segurança de nível máximo.

Continua após a publicidade

A nomeação provocou preocupação entre funcionários do Departamento de Defesa, que questionaram como alguém condenado por participar do ataque ao Capitólio poderia receber um cargo ligado ao gerenciamento de operações militares sigilosas.

“No caso de missões de resgate ou extração, isso pode colocar nossos operadores especiais em alguns dos ambientes mais complexos e perigosos aos quais lhes pedimos para atuar”, afirmou uma fonte ouvida pelo Washington Post. “Colocar alguém tão jovem e inexperiente no Departamento de Defesa, e com um histórico tão questionável, em uma função tão sensível, levanta sérias questões para a liderança.”

Ao jornal, o secretário de imprensa interino do Pentágono, Joel Valdez, defendeu a escolha. Segundo ele, Irizarry é “um jovem profissional qualificado e patriota” e o Departamento de Defesa tem orgulho de contar com ele entre seus nomeados políticos.

Continua após a publicidade

Condenação e indulto

Irizarry se declarou culpado, em 2023, por entrar e permanecer ilegalmente em uma área restrita durante a invasão ao Capitólio. Ele foi condenado a 14 dias de prisão. Imagens anexadas ao processo mostram o então estudante da academia militar The Citadel usando um boné do movimento Make America Great Again (MAGA) e carregando uma barra de metal durante os protestos.

Na audiência de sentença, entretanto, o jovem afirmou sentir vergonha por sua participação no episódio. “O dia 6 de janeiro representou algo verdadeiramente horrível. Foi o maior ataque à nossa democracia desde a Guerra Civil”, declarou na ocasião.

Continua após a publicidade

O jovem está entre os milhares de envolvidos nos atos de 6 de janeiro que receberam perdão presidencial após a volta de Trump à Casa Branca. Em janeiro de 2025, o presidente concedeu indulto ou comutação de pena à maior parte dos condenados pelos ataques ao Capitólio, em uma medida que gerou forte reação de democratas e especialistas em segurança nacional.

Após cumprir sua pena, Irizarry voltou a estudar na The Citadel, instituição militar que o havia desligado após sua condenação. Ele concluiu o curso em 2024 e, no mesmo ano, tentou sem sucesso uma vaga na Assembleia Legislativa da Carolina do Sul, sendo derrotado nas prévias republicanas.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *