Chay Suede interpreta o advogado Pedro em Quem Ama Cuida, na nova novela das 9 da TV Globo. Novidade? Até aqui, não muita. O ator se consolidou, nos últimos anos, num tipo de personagem que mistura intensidade emocional, sedução e certo ar de homem enigmático, repetindo características que acabaram se tornando uma marca de sua própria trajetória na TV Globo.

Em novelas recentes, o ator frequentemente interpreta figuras divididas entre vulnerabilidade e impulsividade, geralmente envolvidas em conflitos amorosos, dilemas familiares ou trajetórias de ascensão e queda. A lista é grande: O rebelde José Alfredo jovem em Império, o ambicioso Rafael em Babilônia, o protagonista Renato em Novo Mundo, o carismático Ícaro em Segundo Sol, Danilo/Fraude em Amor de Mãe, e até o vilão Ari em Travessia… Todos têm em comum homens ambiciosos, sedutores e emocionalmente instáveis, reforçando justamente o perfil dramático que passou a caracterizar sua imagem artística.

Essa recorrência acaba ajudando a fortalecer uma repetitiva identidade artística junto ao público. Mais até que isso – e aí mora o perigo. Sua atuação alimenta a possibilidade dele estar transitando sem fim em uma zona de conforto dramatúrgica, já que seus mais marcantes papéis orbitam o arquétipo do galã atormentado e (aparentemente) complexo. Por que “aparentemente”? Porque tudo que se repete deixa de ser profundo e atrativo ao telespectador. A repetição entrega ainda como a dramaturgia brasileira contemporânea tem apostado em personagens masculinos bobos, como no caso dos que Chay tem feito – os que transitam numa masculinidade mais sensível, mas nos mesmos ingredientes de sedução rasa. Quem repete muito entrega pouco. Chay precisa sair dos caminhos confortáveis dos convites certos para mostrar que, de fato, é um bom ator de sua geração.

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