A nova possibilidade de taxação dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve ser entendida como parte de uma decisão unilateral americana e não como resultado de uma negociação bilateral. Essa foi a avaliação do ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa, entrevistado por Marcela Rahal no telejornal VEJA em Foco. Segundo ele, a investigação conduzida pelos EUA com base na Seção 301 da Lei de Comércio Exterior tende a culminar em novas tarifas, independentemente das justificativas apresentadas pelo governo brasileiro. (este texto é um resumo do vídeo acima)

Rubens Barbosa afirmou que o processo em curso “não é uma negociação”, mas uma investigação formal conduzida pelos Estados Unidos. Segundo o ex-embaixador, o Brasil já apresentou argumentos contra acusações de deslealdade comercial, impactos sobre empresas americanas e questões digitais em reuniões realizadas em Washington no ano passado, mas sem abertura para negociação direta.

“O Brasil foi convidado, ele foi a Washington. Foram apresentados argumentos contra todas as menções negativas sobre deslealdade de comércio, prejuízo para empresas americanas, para os produtos americanos, as questões digitais”, afirmou Barbosa, ao sustentar que os esclarecimentos brasileiros já haviam sido feitos anteriormente.

Há espaço para o Brasil reverter a medida?

Na avaliação do ex-embaixador, a margem para uma mudança substantiva das tarifas é reduzida. Ele explicou que haverá uma nova apresentação do Brasil para rebater as acusações americanas antes da decisão final, mas ponderou que o objetivo da medida seria substituir tarifas anteriores derrubadas pela Justiça americana.

““Vai ser muito difícil haver uma mudança substantiva nessas tarifas que foram anunciadas”, disse. Segundo Barbosa, a medida alcança diversos países e não seria uma ação dirigida exclusivamente ao Brasil.

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O entrevistado afirmou ainda que os argumentos apresentados pelo governo brasileiro, como a redução do desmatamento, o superávit comercial dos Estados Unidos sobre o Brasil e críticas à inclusão do PIX nas alegações americanas, são “válidos” e “verdadeiros”, mas não alterariam a lógica da decisão americana. “Os americanos sabem disso porque já foi dito tudo isso em julho passado”, declarou.

A medida tem motivação política ou comercial?

Ao comentar a coincidência entre o anúncio das tarifas, manifestações públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o senador Flávio Bolsonaro e declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre o Brasil, Barbosa fez uma distinção entre os movimentos políticos e a investigação comercial.

Segundo ele, a taxação estaria vinculada a uma política comercial mais ampla dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, avaliou que medidas recentes da administração Trump em relação ao Brasil indicam um endurecimento político na relação bilateral. “O Marco Rubio disse: ‘O Brasil não é amigável aos Estados Unidos’. Nós temos que aceitar isso, porque nós temos que defender os interesses brasileiros”, afirmou.

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Como o Brasil deve reagir às restrições americanas?

Para Barbosa, o caminho do Brasil deve passar pela diversificação das relações comerciais e pela defesa dos interesses nacionais sem medidas retaliatórias. O ex-embaixador afirmou que o peso dos Estados Unidos nas exportações brasileiras vem diminuindo e defendeu uma estratégia semelhante à adotada por outros países.

“Nós temos que continuar negociando sem retaliação e procurando defender o nosso interesse”, disse. Segundo ele, países como México e nações europeias e asiáticas têm buscado respostas negociadas diante de restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.



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