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Discurso eleitoral estridente pode virar armadilha. Nesta terça-feira (2/6), Lula estava em Catalão (Goiás) e se entusiasmou nas críticas ao adversário Flávio Bolsonaro, candidato presidencial do Partido Liberal.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguiram ser pior do que ele”, disse em referência à associação de Flávio Bolsonaro e familiares ao governo dos Estados Unidos na imposição de restrições políticas e econômicas ao Brasil.
“Eles são, na verdade, vendilhões da pátria”, continuou. “Foram (à Casa Branca) pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que se tem que dizer, em alto e bom som: são traidores!”
Então, comparou: “Por menos do que isso, Joaquim Silvério do Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem…”
O homem que delatou a conspiração mineira contra a Coroa portuguesa fez aquela que, provavelmente, foi a primeira delação premiada da história brasileira: entregou Tiradentes e outros em troca do perdão das dívidas fiscais acumuladas, remuneração e emprego público a quase três mil quilômetros ao norte. Mas Silvério dos Reis morreu de causas naturais em São Luís, onde se autoexilou, 27 anos depois de Tiradentes ter sido executado.
Flávio Bolsonaro, que estava em Belo Horizonte, retrucou com mais estridência: “Ele dá uma espécie de ‘apito de cachorro’ para as facções criminosas me executarem. Eu, de verdade, peço a Deus que não tenha sido essa a intenção, porque se foi, esse cara tinha que estar preso”
Lula “enforcou” Silvério dos Reis, traidor da Inconfidência. Flávio Bolsonaro diz que vai se queixar ao Supremo Tribunal Federal por achar que o adversário lhe desejou o mesmo destino de Tiradentes — delatado, enforcado e esquartejado.
Há risco de conversão da campanha eleitoral numa comédia de erros.