
Entrevistado, nesta segunda, na estreia do VEJA em Foco, o novo telejornal de VEJA+TV, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, analisou o grave impacto do escândalo do Banco Master no Distrito Federal, onde o Banco Regional de Brasília praticamente foi quebrado por operações fraudulentas realizadas na gestão de Ibaneis Rocha.
Para Durigan, as investigações devem levar Ibaneis a ter o mesmo destino que o agora ex-chefe do BRB Paulo Henrique Costa, preso por corrupção na esteira das investigações do Master no STF.
“A origem do problema do BRB é grave, é uma origem criminal. O ex-presidente do banco está preso, o ex-governador está investigado, possivelmente será preso também, em razão do que a gente tem visto aparecer sobre isso”, disse Durigan.
A Polícia Federal descobriu que Costa e Ibaneis tiveram encontros com Daniel Vorcaro enquanto o banqueiro subornava o chefe do BRB para drenar os cofres do banco distrital — num escândalo de mais de 12 bilhões de reais.
Para evitar que o banco quebre, a então vice de Ibaneis na época das fraudes e atual governadora do DF, Celina Leão, fechou um acordo pelo qual o governo — e os contribuintes da Capital Federal — pagarão pela corrupção da gestão que comandou o Palácio do Buriti.
Para Durigan, o risco de o banco quebrar, caso o Governo do Distrito Federal não cubra o rombo de Vorcaro, é real. “É um problema gerado por um governador do DF, um ex-governador, que deve ser resolvido pelo próprio GDF. A questão do prejuízo para o governo do DF está dada. Resta saber se o banco vai quebrar, vai ser liquidado — e isso ainda assim ficará como passivo para o GDF — ou se o GDF vai encontrar um caminho para recuperar o banco e pagar a conta no tempo”, diz Durigan.
O que eu quero te dizer é que a responsabilidade é do governo do DF e, em especial, do governador que estava ali presente autorizando essas transações fraudulentas e muito ruins para a população do DF”.
Recentemente, o governo distrital foi autorizado a realizar um empréstimo na casa dos 6,5 bilhões de reais junto ao Fundo Garantidor de Créditos. A União exigiu que fundos do Distrito Federal (como FPE e FPM) fossem dados como contragarantia em caso de calote. Ou seja, o dinheiro que serviria para manter as contas do governo, os investimentos e todos os assuntos de interesse da população, será usado para pagar a corrupção ocorrida na gestão de Ibaneis e Celina.
Como vice na época das fraudes, Celina tem dito que nada sabia sobre o que se passava no BRB durante o período em que Ibaneis era o governador e ela vice. Para Durigan, a questão agora é saber se o governo conseguirá sair do buraco.
“O próprio Governo do Distrito Federal vai ter que pagar essa conta no tempo”, diz o chefe da Fazenda.