
Uma auditoria interna da Cedae aponta que os investimentos milionários da companhia no Banco Master seguiram “táticas idêntitcas” ao do Rioprevidência. A companhia aplicou R$ 237 milhões e, de acordo com o resultado da sindicância, os aportes envolveram “articulação governamental que ultrapassou os limites da própria Cedae”. No dia 12 de maio de 2023, o então governador Cláudio Castro (PL) jantou em Nova York com Daniel Vorcaro, com conta de mais de R$ 60 mil paga pelo banqueiro. Cinco dias depois, houve uma reunião na sede da companhia fluminense com representantes do Master. O resultado da auditoria aponta para suspeitas de negligência, dolo sistêmico, fraude e risco ao patrimônio da empresa.
Em 12 de setembro de 2023, o conselho de administração da Cedae aprovou alteração na política de investimentos, permitindo que o Master se enquadrasse nos novos critérios de risco da empresa e recebesse depois R$ 200 milhões. O diretor financeiro na época, Antonio Carlos dos Santos chegou a se encontrar, em junho daquele ano, com Maurício Quadrado, sócio de Vorcaro, em São Paulo, de acordo com informação da TV Globo.
Há uma semana, Castro foi alvo de uma operação da Polícia Federal por causa de investigação sobre investimentos de mais de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Master. Sobre o caso da companhia de água, em nota, o político afirma que “o governador do Estado não participa da política de investimentos da Cedae”. Ele diz ainda que a companhia é uma empresa de capital aberto e possui governança própria, “com análise técnica, parecer jurídico, avaliação de compliance, deliberação da diretoria, Comitê de Auditoria, Conselho Fiscal e aprovação pelo Conselho de Administração, composto também por representantes dos servidores e de acionistas minoritários”. De acordo com Castro, as mudaças na política de investimentos passaram por todas as instâncias internas e “não procede a tentativa de relacionar reunião citada” com investimentos posteriores da Cedae.
A nota ainda afirma que o primeiro investimento ocorreu em 2 de outubro “depois do processo de cadastramento, análise interna e aprovação pelas instâncias competentes da Cedae”. O ex-governador chama de “falsa” a tentativa de vincular o encontro em Nova York a uma decisão de investimento da companhia.
Ao g1, o ex-diretor Antonio Carlos dos Santos disse repudiar alegações de omissão de informações ao conselho de administração. Ele acrescenta que o conselho acompanhou o processo de aprovação da política de investimentos e recebia relatórios mensais detalhados sobre as aplicações.