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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), falou na tarde desta segunda-feira, 1º, sobre sua relação com Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go Up Entertainment — responsável pelo filme Dark Horse, que conta uma parte da história do ex-presidente Jair Bolsonaro — e que tem um contrato com a gestão municipal que está sendo investigado pela Polícia Civil por suspeitas de corrupção.

Além de sócia da Go UP, Karina é dona do Instituto Conhecer Brasil, que foi contratado por 108 milhões de reais pela prefeitura para prestar serviços de instalação de pontos de wi-fi na capital. Com aditivos, que estão sob suspeita, o valor envolvido já chegou a 157 milhões de reais.

A licitação, o contrato e seus desdobramentos são investigados pela polícia e pelo Ministério Público. Na manhã desta segunda-feira, a polícia cumpriu oito mandados de busca contra a ICB autorizados pela 1ª Vara Regional da Garantias da Justiça Paulista. Endereços ligados a Karina e ao governo municipal foram alvos das buscas.

Nunes disse que não mantém contato direto com Karina, mas que a conhece, e sugeriu que a investigação da polícia pode fazer parte de uma ‘perseguição política” por causa do envolvimento dela com Bolsonaro. “Não tenho o contato, não tenho o celular. A conheci na Expocristã, se não me engano, que foi um evento que ela organizou. Mas não é uma pessoa que eu tenho contato. Já tive, mas não é uma pessoa que eu converso, que eu tenho contato. Eu não teria problema nenhum de ter [contato com ela], não estou aqui me excluindo [do problema]. Eu acho que é uma pessoa decente, uma mulher trabalhadora, uma mulher que, como qualquer outra, está batalhando, mas que conhece o [Jair] Bolsonaro, e então está passando por isso“, iniciou o prefeito em conversa com jornalistas.

“Eu tenho empresa de embalagem, eu tenho fazenda, eu tenho várias atividades, eu sou prefeito. Qual o problema de a pessoa ter várias atividades? Se essa é a motivação, eu acho grave. Aí, muda o meu discurso. Se a motivação, conforme vocês estão me dizendo, é por conta do filme, estão atrás de um contrato com a prefeitura de 2024 por causa do filme, aí é grave, é perseguição política”, complementou o mandatário municipal.

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Mais cedo, a prefeitura já havia emitido uma nota na qual negou qualquer irregularidade e disse que colabora com as investigações.

Confira a nota oficial enviada à Radar pela gestão Nunes:

“A Prefeitura de São Paulo informa que colabora com investigações em andamento e segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações. Todo o material requisitado na manhã desta segunda-feira já havia sido disponibilizado às autoridades e são, desde sempre, de acesso público, por meio da prestação de contas do município. A administração ressalta que o programa funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link. Por volta das 9h desta segunda-feira, dos 3,2 mil pontos contratados pela prefeitura, apenas 52 estavam off-line e passavam por manutenção. Não houve pagamento por parte da administração para 5 mil pontos. O aditivo em questão é exclusivamente para manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados nas comunidades periféricas da cidade.

A prefeitura reforça que toda a prestação de contas, com documentos, notas fiscais, contratos e outras informações, está no sistema SEI, que é público. O processo passou também por acompanhamento do Tribunal de Contas do Município (TCM). A Prefeitura repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade.

Vale lembrar que o chamamento público, aberto por 30 dias para qualquer entidade interessada, ocorreu em 2024, quando não havia sequer produção do filme mencionado, e o processo cumpriu todas as exigências legais. Para 2026, o custo estimado na parceria com o instituto corresponde a R$ 1.280,80 por ponto/mês, significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022, de R$ 2.026,26 por ponto/mês e R$ 5.092,14 por ponto/mês.”



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