Foi ouvida nesta segunda-feira, 1º, a última das 22 testemunhas do julgamento sobre a morte do menino Henry Borel. O médico Jeferson Evangelista Corrêa, que foi perito legista por mais de 20 anos, prestou depoimento por requisição da defesa do ex-vereador carioca Jairo Souza Santos, o Dr. Jairinho, que responde por homicídio duplamente qualificado. Ele analisou os laudos de necropsia e afirmou que não encontrou sinais de tortura e maus tratos sistemáticos ao menino. “Definitivamente não vi nesses laudos, em nenhum deles, qualquer lesão que tivesse algum suporte para fins de maus tratos, de crueldade ou de alguma ação dolosa”, declarou.

Os advogados do ex-vereador arrolaram o médico para reconstituir a cronologia do atendimento médico prestado a Henry no hospital Barra D’or, na zona sudoeste do Rio. A principal linha de defesa de Jairinho é a de que o menino morreu em decorrência das manobras de reanimação. A equipe jurídica argumenta que, se o menino tivesse chegado sem vida ao hospital, os médicos não teriam feito tantos procedimentos para tentar salvá-lo.

A pediatra Maria Cristina de Souza, que participou do atendimento, prestou depoimento na última quinta-feira e contou que Henry estava tecnicamente morto, sem pulso, quando deu entrada na emergência do hospital. De acordo com a médica, as manobras de reanimação foram prolongadas após apelos de Leniel Borel, pai do menino, para que não desistissem do filho, o que teria sensibilizado a equipe.

Jeferson Evangelista Corrêa foi questionado sobre os riscos dos procedimentos que constam no prontuário médico do menino – massagens cardíacas, intubação, drenagem de tórax, injeção de adrenalina, punções para acesso venoso, entre outros. O perito detalhou os perigos de cada uma das condutas médicas e afirmou que elas podem ter causado, por exemplo, lesões no pulmão e escoriações no corpo. “Uma entubação mal feita pode romper a traqueia, uma sondagem nasogástrica também. A reanimação, por si só, tem esse risco, porque é muita pressão”, afirmou. “É uma dinâmica que só quem vive a medicina, a emergência, entende como funciona”, acrescentou.

O médico também analisou o prontuário disponibilizado pelo hospital Barra D’or. Segundo ele, o documento tem informações incompletas. “Esse prontuário é cheio de falhas. É um arremedo de prontuário eletrônico”, criticou.

O laudo da necropsia é categórico: Henry morreu em decorrência de uma laceração no fígado que causou uma hemorragia interna. O ferimento, na avaliação do perito do Instituto Médico Legal (IML), foi provocado por uma “ação contundente”, ou seja, violenta. Segundo Jeferson Evangelista, as manobras de ressuscitação podem ter agravado a lesão. “Se essa criança tinha uma laceração hepática tamponada, a massagem pode ter destampado e acelerado a hemorragia”, opinou. 



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *