
O Irã voltou a condicionar nesta segunda-feira, 1°, um possível acordo de paz com os Estados Unidos a um cessar-fogo efetivo no Líbano, em meio à intensificação dos ataques de Israel à milícia Hezbollah. Em coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, também acusou o governo americano de violar a trégua com Teerã através de bombardeios.
“Os Estados Unidos também estão violando o cessar-fogo, inclusive nesta manhã”, afirmou Baghaei, advertindo que o Irã não hesitará em adotar medidas necessárias para proteger a sua segurança nacional.
O porta-voz reiterou que a questão nuclear — um aspecto-chave para os Estados Unidos, que demandam que o Irã abra mão do seu estoque de urânio enriquecido — não faz parte das negociações em curso. Ele disse que, no momento, a “prioridade é encerrar a guerra”, desencadeada por ataques dos EUA e Israel ao país em 28 de fevereiro.
Para além do fim dos conflitos em todas as frentes no Oriente Médio, o Irã exige suspensão de sanções, a liberação de fundos congelados e o fim do bloqueio marítimo americano ao país. Os termos incluem, ainda, reparações por danos causados pela guerra e a retirada das forças americanas de áreas próximas ao território iraniano.
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Ameaças de Trump
A declaração de Baghaei ocorre após o presidente americano, Donald Trump, afirmar que o regime iraniano concordou em não desenvolver ou comprar armas nucleares — uma alegação que não foi confirmada por Teerã até o momento.
“Então agora (o acordo) diz: ‘Não desenvolveremos nem compraremos de forma alguma uma arma militar’. Essa é uma grande diferença. Então estamos conseguindo o que queremos aos poucos — negociadores muito duros”, disse Trump à emissora americana Fox News. “Leva muito tempo. Não tenho pressa… se você tiver pressa, não vai conseguir um bom negócio.”
O republicano, no entanto, advertiu que poderá “resolver” a guerra de uma “maneira diferente” caso as tratativas fracassem, sugerindo a retomada total dos combates. Ele também disse que uma nova ofensiva pode ser realizada se o Irã propor “um acordo que não seja bom” para os EUA. O mandatário da Casa Branca alegou, mais uma vez, que as forças americanas destruíram a Marinha e a Força Aérea iranianas e acusou a imprensa de minimizar o sucesso no Oriente Médio.